AeloOn

Informativo Periódico

Boletim Informativo 1.096

Ano 25
Nº 1.096
São Paulo
22/07/2026

Já se inscreveu para o Fórum do dia 3?

Faltam só 11 dias para o 3.º Fórum AELO-Estadão de Loteamento Urbano, que será realizado de modo presencial em 3 de agosto, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo. A AELO tem informado sobre o modo de os interessados se inscreverem. Também é possível acessar a programação e o link de inscrição por meio do QR Code que aparece em anúncios do jornal “Estadão”.

O AELO ON reproduz, aqui, o anúncio de meia página publicado várias vezes no Caderno de Economia & Negócios. O anúncio ressalta a base da programação deste ano: Construindo o futuro das cidades. Crédito, segurança jurídica e saneamento como alicerces para o planejamento urbano. Algo diferente em relação aos Fóruns de 2024 e 2025. O mesmo anúncio está circulando na versão virtual do “Estadão”, destinada a assinantes.

O Fórum é resultado de uma parceria entre a AELO e o jornal, iniciada em 2022, e a cobertura será publicada no Caderno de Loteamentos n.º 5, que vai circular na edição de 14 de agosto do “Estadão”.

Os que não conseguirem vaga para inscrição na modalidade presencial ou que residem longe da cidade de São Paulo devem saber que o “Estadão” vai disponibilizar seus canais de mídias sociais para a cobertura simultânea do evento. Ninguém vai ficar fora do grande debate do ano.

Luciane Virgílio: “O segredo dos centros prósperos”

A revista “Veja” publicou, na semana passada, o artigo “O segredo dos centros prósperos: transformar informação em conhecimento”, que vem tendo ampla repercussão junto ao poder público e às empresas de desenvolvimento urbano. O texto é da arquiteta e urbanista Luciane Virgílio (foto), mestre em Engenharia Urbana pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), professora do Centro de Estudos das Cidades do Insper e também nos Cursos Específicos de Loteamentos da Universidade Secovi. Atua na estruturação estratégica e regulatória de projetos urbanos na empresa Arquitécnica Urbanismo com foco em governança urbana, segurança institucional e sustentabilidade econômica de empreendimentos.

Em junho, Luciane publicou no jornal “Valor Econômico” outro artigo, “O licenciamento urbano e o tempo”, em que apontou semelhanças e diferenças entre os critérios de Nova York e os de São Paulo, tendo recebido elogios de vários leitores.

O AELO ON reproduz a seguir o artigo de Luciane Virgílio para a revista “Veja”:

 

O segredo dos centros prósperos:

transformar informação em conhecimento

Uma semana antes da pandemia, solicitei a um cliente que participasse de uma reunião por meio do então popular Skype. O projeto estava localizado a cerca de 350 quilômetros de São Paulo, e a alternativa virtual evitaria percorrer uma rodovia de pista simples na noite anterior. A reação foi de completo ceticismo: a conexão de internet da região seria insuficiente e uma reunião daquela importância não funcionaria remotamente.

Poucos dias depois, o mundo inteiro passou a se comunicar maciçamente por videoconferências.

A pandemia nos ensinou que mudanças estruturais podem ocorrer em velocidades muito superiores às que imaginamos. Mais do que tentar prever o futuro, tornou-se fundamental detectar e compreender tendências, desenvolvendo, a partir daí, capacidade de adaptação. 

Diversas empresas perceberam rapidamente que o período pós-pandemia dificilmente representaria apenas uma retomada do passado. Muitas revisaram seus modelos de negócio, suas estruturas físicas e até mesmo sua localização, apostando em cidades próximas aos grandes centros e em novas formas de organização do trabalho.

A lógica parecia simples: se a tecnologia permitia trabalhar de qualquer lugar, uma das principais razões para viver nas grandes metrópoles deixaria de existir. O que essa análise ignorou, no entanto, foi a própria essência das cidades.

Muito antes da internet e dos modernos escritórios, as cidades surgiram como espaços de encontro. São ambientes onde pessoas compartilham conhecimento, experiências e oportunidades. A proximidade física continua sendo um dos principais motores da inovação e do desenvolvimento econômico porque favorece algo difícil de reproduzir integralmente no ambiente digital: as interações espontâneas.

As grandes ideias raramente surgem apenas em reuniões agendadas. Elas costumam nascer de conversas informais, encontros inesperados e da convivência entre pessoas com diferentes experiências.

É justamente nesse ponto que surge uma questão complexa, porém incontornável: se as cidades continuam sendo espaços privilegiados de geração de oportunidades, por que algumas prosperam mais do que outras? Como explicar que municípios vizinhos, inseridos em uma mesma dinâmica regional, apresentem resultados tão distintos?

A resposta parece estar menos no território e mais na qualidade da governança. Cidades competitivas não são necessariamente aquelas que possuem mais recursos naturais ou localização excepcional, mas as que conseguem oferecer regras claras, segurança jurídica, infraestrutura adequada e previsibilidade. Investimentos, empregos e inovação tendem a se concentrar onde existe confiança nas instituições e estabilidade nas decisões públicas.

Isso exige prioridades bem definidas, projetos estruturantes tratados como políticas de Estado, alinhamento entre órgãos governamentais e processos decisórios transparentes, além de caracterizados por sua coerência e eficácia.

Se a pandemia deixou a lição de que o futuro pode não durar muito tempo, a dinâmica urbana nos mostra que as cidades mais preparadas para ele não são necessariamente as maiores ou mais ricas. São aquelas capazes de transformar informação em conhecimento, planejamento em estratégia e governança em resultados concretos para as suas populações, sobretudo as mais vulnerabilizadas.

CBIC vai debater próximos passos da Reforma

Com o avanço da implementação da Reforma Tributária e a proximidade de uma nova etapa de adequação para as empresas, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), à qual a AELO é filiada, vai realizar em 30 de julho (quinta-feira), das 16h30 às 18h, a transmissão ao vivo “Reforma Tributária: onde chegamos e próximos passos”, pelo canal da entidade no YouTube.

O encontro discutirá o cenário atual da reforma tributária e os impactos das novas exigências relacionadas ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que passam a integrar os documentos fiscais eletrônicos a partir de 1º de agosto. A programação também abordará os principais cuidados para a adaptação das empresas e os próximos passos da implementação do novo sistema tributário.

Participam do encontro o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida; o presidente executivo da entidade, Fernando Guedes Ferreira Filho; o advogado, diretor do Sinduscon-CE e líder do projeto Reforma Tributária da CBIC, José Carlos Gama; e Luís Henrique Macedo Cidade, da área de Relações Institucionais e Governamentais da CBIC.

A transmissão é voltada a empresários, profissionais e representantes da cadeia produtiva da construção interessados em compreender as mudanças e se preparar para a nova etapa da reforma tributária.

O presidente da AELO, Caio Portugal, que participou dos encontros de entidades junto ao Congresso Nacional e o governo federal, em Brasília, para evitar que a reforma viesse a provocar um drástico aumento dos impostos no setor imobiliário, recomenda aos nossos associados o acesso ao evento da CBIC por meio do YouTube.

Núcleo Secovi-SP de Infraestrutura e Logística

O Secovi-SP promoveu em sua sede, em 30 de junho, o encontro de lançamento do Nilos, o Núcleo de Infraestrutura e Logística da entidade, reunindo executivos do setor imobiliário, representantes de fundos e consultorias para discutir os gargalos e as oportunidades do mercado de galpões logísticos em São Paulo. 

O AELO ON reproduz hoje o texto do Secovi-SP e uma foto do encontro.

A abertura foi conduzida pelo presidente do Secovi-SP, Jorge Cury, que contextualizou a criação do grupo a partir da posse da nova diretoria da entidade, realizada no dia 22 de junho. Segundo ele, o tema chamou a atenção do governador durante a cerimônia. “O governador falou: ‘Olha, a gente tá à disposição. Do que vocês precisarem, incentivo, desenvolvimento, o que vocês quiserem, isso interessa muito’”, relatou Cury, acrescentando que a reforma tributária tem atraído grandes empreendimentos logísticos para o estado por causa da infraestrutura de estradas e portos já existente.

Cury afirmou que o governador acionou na hora o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, que se dispôs a participar do evento, mas não pôde comparecer pessoalmente e enviou uma mensagem em vídeo aos presentes. O presidente destacou ainda a presença de representantes da CETESB e da Sabesp em encontros anteriores do grupo como sinal do interesse das concessionárias e dos órgãos públicos na pauta, e informou que a associação dos fundos imobiliários passará a funcionar fisicamente na sede do Secovi-SP a partir de agosto.

O presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, complementou a abertura defendendo uma postura conjunta entre incorporadores e fundos de investimento diante do cenário de juros elevados, citando o conceito de “asset light” como tendência do setor. “A gente tem o poder de ser o montador, o desenvolvedor, e esses fundos aqui perto trazem o recurso”, afirmou. Wertheim reforçou o papel histórico do Secovi-SP na articulação política em Brasília, citando a criação do programa Minha Casa Minha Vida, que, segundo ele, “nasceu aqui dentro”, e destacou que a força da entidade junto ao Congresso se baseia em tradição e embasamento técnico. “A gente nunca leva nada para eles que não tem uma estruturação técnica. Claro que a decisão é política, mas, para você pedir alguma coisa ou para você propor alguma coisa, você tem que embasar”, disse.

O vice-presidente de Gestão Patrimonial e Locação do Secovi-SP, Adriano Sartori, explicou que a criação do Nilos partiu da constatação de que o mercado logístico, embora historicamente vinculado à sua vice-presidência, havia se tornado grande demais para permanecer como uma área secundária. “O mercado logístico é tão grande que ele fica pequeno dentro da VP de Locação e Gestão Patrimonial. Por isso, a ideia de criar um comitê à parte, no modelo que nós temos do GEIS, que é o Grupo das Empresas de Incorporação, onde eles têm um encontro recorrente para discutir realmente pautas do setor”, afirmou. Sartori citou o trabalho do vice-presidente de loteamentos, Caio Portugal, junto a concessionárias como referência para a aproximação do setor logístico, e convidou Fernando Terra, vice-presidente da CBRE, para apresentar um panorama de mercado aos participantes.

A apresentação técnica do encontro trouxe dados consolidados do mercado brasileiro de galpões e condomínios logísticos. Segundo Fernando Terra, vice-presidente da CBRE, o Brasil soma hoje 226 milhões de metros quadrados entre galpões e indústrias, dos quais 47 milhões de metros quadrados correspondem a 1.200 condomínios logísticos desenvolvidos por players profissionais, concentrando 70% desse estoque na região Sudeste. O executivo apontou que o mercado de São Paulo, com raio de até 120 quilômetros incluindo Campinas, é o maior do país, com 22 milhões de metros quadrados, seguido por Minas Gerais, impulsionado principalmente pela região de Extrema. “Se Extrema fosse um mercado isolado, já estaria aqui maior do que Goiás, maior do que Ceará”, afirmou, citando que o município soma 1,3 milhão de metros quadrados de galpões.

Terra destacou que vacâncias abaixo de 10% indicam mercados sub ofertados em praticamente todo o País, incluindo o Rio de Janeiro, que segundo ele deve fechar o trimestre com vacância abaixo de 9%. Em São Paulo, a vacância geral caiu de 6,7% para 4,6% entre trimestres. “Quem poderia, aqui, os que estão há tempo no mercado imaginar, que a gente chegaria a uma vacância abaixo de 5%? Realmente tá faltando muito espaço”, disse. Sobre o crescimento do setor, afirmou que o ritmo ideal para um mercado emergente como o brasileiro estaria entre 8% e 10% ao ano, mas que nos últimos três anos o crescimento ficou entre 6% e 7%, evidenciando represamento da oferta. “Isso mostra realmente um controle dessa oferta e, muitas vezes, não por questões econômicas, e sim por atrasos de projeto”, avaliou.

Questionado por Ely Wertheim sobre riscos para o setor de e-commerce, Terra ponderou que não enxerga um risco estrutural, mas sim riscos pontuais ligados a players específicos que não conseguiram se adaptar à concorrência de empresas internacionais e ao cenário de juros elevados. Segundo ele, a penetração do e-commerce no varejo brasileiro ainda é baixa, entre 12% e 15%, contra cerca de 50% na Coreia do Sul e mais de 30% na China, o que indica espaço de crescimento para o setor. Terra apresentou ainda dados mostrando que a fatia de locações vinda do e-commerce e varejo subiu de 46% para 53% em um ano, enquanto a demanda da indústria, reprimida, responde por apenas 13% das locações. Wertheim acrescentou que, de um total de 1,8 milhão de metros quadrados em desenvolvimento na região, 1,3 milhão já está pré-locado, o que deve manter a vacância sob controle. Encerrando a apresentação, Terra mostrou que os aluguéis no raio de 15 quilômetros da capital já superam R$ 50 e R$ 60 por metro quadrado, refletindo o desequilíbrio entre oferta e demanda.

A apresentação do núcleo coube a Stephany Matsuda, diretora da VP de Gestão Patrimonial e Locação do Secovi-SP, responsável pela proposta do Nilos. Ela explicou que sua relação com o Secovi-SP remonta a cerca de dez anos, quando buscou apoio institucional da entidade para um projeto de infraestrutura logística ferroviária. Stephany detalhou a origem do nome do núcleo, em referência ao rio Nilo. “Eu acho que eu quis fazer uma analogia com a força do rio Nilo, que todo mundo sabe da importância, sustentou uma civilização inteira, foi a principal via de transporte, abastecimento, e sempre sustentou aí toda a civilização”, afirmou.

Segundo Stephany, o Nilos seguirá o modelo do GEIS, o Grupo das Empresas de Incorporação do Secovi-SP, concentrando questões regulatórias e de desenvolvimento imobiliário do setor logístico, da tramitação de leis ao licenciamento ambiental. “Quando a gente tem o carimbo do Secovi-SP, quando a gente tem uma força institucional, existem diversos planos de governo, e vocês, desenvolvedores logísticos, sabem disso”, disse, citando como exemplos de pauta o aumento de impostos, o direito de laje e a regulação de data centers.

Ely Wertheim reforçou a importância da atuação institucional de longo prazo da entidade citando o projeto de revitalização do centro de São Paulo, contratado junto ao urbanista Jaime Lerner cerca de 20 anos atrás. “Levamos para o prefeito, para o governador da época, e aquilo não andava. Mas sempre tá lá, criou a ideia. E até que se chegou hoje num projeto de recuperação do centro de São Paulo”, afirmou, lembrando que o atual centro administrativo do governo estadual no centro da cidade tem origem naquele projeto inicial.

Stephany detalhou que o Nilos terá pauta conduzida pelo Secovi-SP, acesso qualificado a governo, agências e concessionárias, inteligência de mercado em parceria com a CBRE e agenda regulatória própria, com reuniões mensais a partir de agosto. Ely Wertheim acrescentou que a ideia é ter “uma voz única, uma agenda regulatória e jurídica, uma inteligência de mercado”, com contribuição financeira em separado da associação ao Secovi-SP para custear a atuação institucional do grupo. Ely reforçou o canal de diálogo aberto com o governo estadual. “O que que vocês querem, o que que vocês precisam e tal, fale comigo, fale com o Jorge Lima. Então isso passa por um incentivo de ICMS, seja lá o que for, a guerra fiscal”, afirmou.

Edith Bertoletti, da Goodman Brasil Storage, participou da discussão sobre as desvantagens competitivas de São Paulo em relação a outros municípios, citando tributos como ISS e IPTU. “É difícil, e vou dar exemplos, cada setor sabe o seu, aonde dói o sapato. São Paulo é uma praça que tem desvantagens em relação a outros municípios”, afirmou. Ela também destacou a proximidade da entidade com a gestão municipal, mencionando uma visita prevista do ex-prefeito Fernando Haddad à sede do Secovi-SP. “Nosso canal, graças a Deus, nessa gestão é muito bom. Nós tivemos, no estado, a lei de zoneamento, que foi super importante, nós estávamos lá juntos também”, disse.

Thiago Cordeiro, da GoodStorage, relatou os avanços obtidos junto à CETESB ao longo da última década em parceria com o setor de incorporação. “Por exemplo, na CETESB, o que que a incorporação fez? Nós levamos para a CETESB o que que significava a incorporação. Isso demorou três, quatro anos”, afirmou, destacando que hoje o órgão conta com técnicos dedicados e que o setor recuperou terrenos que antes estavam travados no licenciamento. “Nós aumentamos muito o nosso land bank porque todos os terrenos não estavam fora do jogo, e voltaram para o jogo”, disse, acrescentando que a CETESB também passou a apontar consultorias de baixa qualidade ao mercado.

Os presentes mencionaram aproximações em curso com outras entidades do setor, como a Abralog, e a estrutura jurídica do Secovi-SP em Brasília como canal de acesso a parlamentares. Sobre a periodicidade das reuniões do novo núcleo, um dos participantes defendeu encontros menos frequentes, porém resolutivos. “Mais vale ter uma reunião a cada três meses e todo mundo vir e que o negócio se decida, do que uma reunião mensal”.

Encerrando a apresentação, Stephany Matsuda explicou os benefícios da associação ao Secovi-SP, como acesso à estrutura da entidade e descontos em eventos, cursos e palestras, e reforçou que o Nilos representa uma força institucional adicional para tratar de questões regulatórias e de infraestrutura, da CETESB ao caso do Campo de Marte (assunto do artigo de Claudio Bernardes publicado na edição anterior do AELO ON).

Jorge Cury voltou a defender a importância da atuação coletiva da entidade entre as diferentes áreas do mercado imobiliário. “Ser sócio do Secovi-SP dá lucro. A gente tem acesso a várias informações antes que saiam na imprensa, e mesmo as informações que vierem via lei, projeto de lei, já tem um corpo técnico aqui que pode analisar e trazer uma visão”, afirmou, citando como exemplos recentes de atuação da entidade as discussões em torno do Campo de Marte, a tentativa de extinção do SBPE pelo governo federal e ações diretas de inconstitucionalidade contra o zoneamento da cidade.

Um dos participantes relatou avanços recentes do Secovi-SP em Brasília, citando a reabertura de um canal de diálogo com o Ministério de Portos e Aeroportos sobre o caso do Campo de Marte. “Abriu-se um caminho por causa desse contato. Então é muito importante criar esse grupo, estar perto, as oportunidades vão aparecer, as dificuldades também. Só junto a gente resolve”, afirmou. Outro participante destacou que a atuação da entidade junto a órgãos como a CETESB se pauta pela defesa de teses setoriais, e não de empresas isoladas. “A gente tá aqui para defender um mercado, uma tese. No caso do incorporador, uma cidade que funcione, que seja legal, que as pessoas não queiram ir embora da cidade”, disse.

A discussão avançou ainda sobre o Projeto de Intervenção Urbana e os impasses entre o uso logístico e zonas mistas na capital paulista. Um dos presentes citou o caso de um centro de distribuição que reduziu prazos de entrega e emissões de carbono na Zona Oeste, mas enfrenta resistência de moradores do entorno. “Tem uma função social enorme. Mas é uma zona mista que tem um galpão, e o vizinho reclama”, relatou. O grupo discutiu uma norma municipal sobre limites de ruído em obras, derrubada pelo Ministério Público e posteriormente revista pela prefeitura, e defendeu que a cidade depende da expansão da infraestrutura logística para sustentar a demanda crescente do varejo eletrônico. “Se não tiver, a cidade não vai funcionar. Porque vai ter mais penetração do varejo eletrônico, a fricção de consumo é menor, é um outro comportamento”, afirmou.

Encerrando o encontro, Stephany Matsuda detalhou os próximos passos para a estruturação do grupo, que seguirá o modelo do GEIS, com reuniões compostas por representantes legais das empresas associadas. Um dos participantes reforçou o caráter estratégico dos encontros, que devem reunir sócios ou CEOs das companhias, e não apenas representantes técnicos. “Não é reunião de ‘vou mandar meu gerente’. É dono da empresa ou o CEO da empresa. É quem decide, porque vão se falar coisas estratégicas e tomar decisões estratégicas para depois os técnicos executarem”, afirmou.

A organização também citou a elaboração conjunta de documentos técnicos junto à CETESB como modelo de atuação a ser replicado pelo novo núcleo, com pauta, prazos e responsáveis definidos previamente. Segundo os organizadores, o grupo deve, nos próximos meses, consolidar demandas do setor logístico e ampliar a interlocução com órgãos públicos e concessionárias do Estado de São Paulo.

Guia Empreendimentos Imobiliários Sabesp

Os associados da AELO já começaram a receber o link de acesso ao novo Guia Empreendimentos Imobiliários Sabesp, fruto de negociações do Comitê de Desenvolvimento Urbano (AELO, Secovi-SP e SindusCon-SP) junto à Sabesp, empresa responsável pelo saneamento básico na maioria dos municípios do Estado de São Paulo. A arquiteta Ruth Portugal, coordenadora do grupo de trabalho para o relacionamento com prestadoras de serviços de saneamento e de energia elétrica, explica que o Guia é resultado de extensas negociações entre nosso setor e a nova Sabesp.

“A quem Lula mostrou o dedo médio?”

O jornal “Estadão” publicou na edição de domingo, 12 de julho, o editorial “A quem Lula mostrou o dedo médio?”, que analisa um gesto do presidente da República e seus significados.

Eis o editorial:

Supostamente dirigido à ‘elite’, velha inimiga do PT, o gesto obsceno contra quem ‘acha que pobre não gosta de coisa boa’ foi para o contribuinte que paga a conta de seus desatinos

Durante um anúncio sobre o Brasil Sorridente, programa federal que oferecerá próteses dentárias moldadas em 3D para os cidadãos mais carentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou o dedo médio a quem, no seu entender, desdenha da pobreza de seus concidadãos. “Nós vamos acabar com essa história de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles. Nós gostamos de coisa boa”, disse Lula. O gesto, de uma vulgaridade típica do petista, mas imprópria para a mais alta autoridade da República, não seria digno desta nota não fosse pelo tanto que revela sobre o espírito do atual governo.

Supostamente dirigida à “elite”, a velha inimiga imaginária dos petistas, a obscenidade de Lula, a rigor, atingiu em cheio o brasileiro pagador de impostos – aquele que sustenta, com muito sacrifício, a máquina pública que o presidente insiste em instrumentalizar a seu favor às vésperas de mais uma eleição.

Mais obscena do que o gesto, contudo, é a desfaçatez com que Lula se colocou entre os pobres, como se fosse um deles. Ademais, deveria ser ocioso lembrar que o PT terá governado o Brasil por 18 dos últimos 24 anos. Portanto, é lícito perguntar: o que Lula fará num eventual quarto mandato para elevar a renda dos brasileiros que já não tenha feito, ou deixado de fazer, nesse longo período liderando o País? A resposta honesta é uma só: nada. O que resta é o discurso eleitoreiro que opõe “ricos contra pobres”, figura de retórica cara a lideranças populistas de todos os matizes – e que Lula manipula há tempos com o talento de um ator canastrão.

Ao afirmar que os mais abastados só bancam seus planos de saúde porque “pagam”, e que, na verdade, “quem paga somos nós, que deixamos de receber o dinheiro” – numa alusão às deduções do Imposto de Renda –, o presidente tenta transformar em hipocrisia o que, a bem da verdade, é um mecanismo tributário como outro qualquer. Além disso, Lula ignora o fato de que milhões de brasileiros pagam caro por planos de saúde porque não recebem como contrapartida a impostos escorchantes um sistema público de saúde que atenda às suas necessidades.

Todo esse falatório de Lula, deve-se reconhecer, é eficiente do ponto de vista eleitoral, sobretudo porque desvia o foco de um debate mais sério sobre a higidez das contas públicas. Eis o ponto fundamental: não existe política social mais eficaz do que o controle responsável do Orçamento da União. Como costumamos afirmar com mais frequência do que gostaríamos, responsabilidade fiscal não é um fetiche da Faria Lima, como Lula e seus aliados insistem em caricaturar. É condição indispensável para a queda da inflação, para a redução dos juros e para que o Estado recupere a capacidade de investir em educação, saúde, segurança e infraestrutura de qualidade – justamente as políticas públicas que têm condições de emancipar os brasileiros.

A desordem fiscal que Lula promove com gosto onera precisamente as camadas mais pobres da população, as mesmas que o presidente jura de pés juntos defender. É o pobre quem mais sofre com a inflação alta, com o crédito caro e com o câmbio instável. Isso não é questão de opinião, mas de matemática elementar.

Oferecer dentaduras aos cidadãos que não têm condições de pagar por elas é meritório do ponto de vista da saúde pública. Ninguém de bom senso há de negar isso. Mas é também a parte mais fácil, mais barata e mais vistosa, do ponto de vista eleitoral, de um governo que confunde seus interesses eleitorais imediatos com um projeto de país. Um genuíno estadista, ao contrário de um populista de horizontes limitados como Lula, criaria as condições estruturais para que o Brasil cresça de forma sustentada e, assim, liberte seus cidadãos da dependência de programas assistenciais, de modo a conquistar uma vida digna por seu próprio esforço.

Lula, porém, jamais teve real preocupação com o controle das contas públicas, e não será às vésperas de uma eleição que honrará seus cabelos brancos e passará a ser responsável. Mas que ao menos fosse honesto – isto é, que reconhecesse que o dedo médio, mostrado em nome dos pobres, foi dirigido a quem paga a conta de seus desatinos.

Rolf Kuntz: “Crescer continua sendo o desafio”

O jornalista e filósofo Rolf Kuntz (foto) publicou na Página 5 do “Estadão” de domingo, 12 de julho, o artigo “Crescer continua sendo o desafio”, que, pela sua qualidade, merece ser publicado pelo AELO ON como fonte para reflexão.

Aqui está o texto:

Trapalhadas de Flávio Bolsonaro e brigas da direita favorecem, por enquanto, a busca de mais uma eleição pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bagunça internacional pode atrapalhar, mas a Petrobras tem conseguido manter as vendas externas, enquanto outros exportadores tentam compensar, em mercados diversos, as dificuldades criadas nos Estados Unidos pelo presidente Trump. Amizades problemáticas e suspeitas de corrupção, tema persistente no dia a dia da política brasileira, podem afetar a imagem do governo, mas sem danos importantes até agora.

A economia nacional permaneceu razoavelmente positiva no primeiro semestre. Até a primeira semana de julho, a balança comercial acumulou superávit de US$ 44,63 bilhões, 39,2% maior do que o alcançado em 2025 no mesmo período. O resultado foi obtido com exportações de US$ 190,66 bilhões, 11,8% superiores às de um ano antes, e importações de US$ 146,03 bilhões, com aumento anual de 5,4%.

Enquanto o comércio externo se expande, a atividade econômica mostra algum dinamismo, apesar dos juros muito altos e, portanto, do alto custo do capital. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB), valor adicionado da produção de todos os setores, cresceu 1,1% em relação aos três meses finais de 2025. Além disso, foi 1,8% maior do que o de um ano antes e acumulou expansão de 2% em 12 meses.

Para este ano, a mediana das projeções do mercado aponta expansão próxima de 2%, segundo tem mostrado, semanalmente, o boletim Focus. O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 1,9% para 2,4% o crescimento estimado para 2026 e de 2% para 2,2% o avanço esperado para 2027. O crescimento brasileiro continuará, pelo menos por alguns anos, menor do que o de vários outros emergentes, mas o resultado positivo deverá persistir.

Se os fatos confirmarem essa expectativa, as oportunidades de ocupação poderão ser suficientes para absorver a mão de obra adicional. Mas o quadro geral dependerá, obviamente, da modernização tecnológica, do preparo dos trabalhadores para as novas condições e, portanto, também do investimento na expansão e na modernização do sistema educacional.

O governo federal tem dado alguma atenção aos desafios da educação, superando nesse aspecto várias administrações estaduais. Mas o esforço continua dependente – e assim deverá permanecer – principalmente dos governos subnacionais, nem sempre voltados tanto quanto deveriam à educação básica e à formação dos jovens. O novo governo fracassará num ponto essencial, se negligenciar essa tarefa ou se for incapaz de enfrentá-la.

Apesar de fundamental para o desenvolvimento econômico, social e, talvez, político, a educação permanece um tema pouco importante – e, mais do que isso, quase imperceptível – no debate público do dia a dia. Não só o problema educacional, no entanto, tem sido quase esquecido na rotina da maior parte dos políticos. No período pré-eleitoral, debates sobre grandes problemas nacionais têm sido escassos. Referências a temas essenciais têm sido, além de raras, quase sempre irrelevantes. Fala-se em nomes e começam a articular-se campanhas, mas programas e projetos são pouco mencionados. Será cedo demais para iniciar pregações e debates ou haverá, mesmo, pouco interesse em abrir discussões sobre grandes problemas e grandes objetivos?

Crescimento econômico, emprego, tecnologia, inserção internacional, diplomacia, educação, investimento, inflação, contas públicas, programas setoriais, segurança, gestão ambiental e cultura são assuntos da imprensa escrita, dos meios de comunicação eletrônicos e de alguns servidores públicos e autoridades, mas permanecem com pouco peso e com tratamento precário no dia a dia da maior parte dos políticos. Nem a perspectiva de eleições próximas parece estimular discursos e debates de algum relevo.

Estarão os brasileiros dispostos a continuar atolados num crescimento anual raramente superior – e até inferior, muitas vezes – a 2%? Nem a celebrada abundância de recursos naturais parece estimular discussões políticas sobre maior expansão e grandes mudanças na vida nacional. O assunto foi lembrado, há dias, quando se mencionou o grande estoque de terras raras, mas com pouca repercussão.

Vale a pena deixar a grupos estrangeiros a exploração eficiente desse tipo de riqueza? Tem havido avanços em algumas áreas da economia tradicional. Mas a transformação da indústria tem sido bem menos visível do que a da agricultura, onde empresários e técnicos têm exibido maior disposição de promover grandes mudanças tecnológicas e administrativas. O governo chegou a exibir algum empenho na modernização da indústria e no seu ganho de competitividade, mas esse esforço parece agora menos vigoroso.

Talvez a competição eleitoral tenha alterado as prioridades e imposto novas tarefas às pessoas mais ligadas à política industrial. Pode ser, mas é arriscado afirmar se essas pessoas, mesmo em caso de vitória do atual presidente, reativarão seus melhores projetos. Em caso negativo, o País perderá mais uma chance de escapar do rame-rame dos 2% de expansão.

FIABCI: “O peso dos juros no ritmo da construção civil”

A FIABCI-Brasil, que tem como presidente Flavio Amary, ex-presidente da AELO e do Secovi-SP, publicou em sua coluna semanal no jornal “Estadão”, em 14 de julho, o texto “Cidade Viva: como os juros influenciam o ritmo da construção civil”.

O AELO ON reproduz o texto:

Muito além dos indicadores econômicos, a taxa básica de juros influencia diretamente o cotidiano de quem compra, vende ou investe em imóveis. Cada movimento da Selic afeta o custo do crédito, a capacidade de financiamento das famílias e as decisões das empresas sobre novos empreendimentos, tornando a política monetária um dos principais fatores que determinam o ritmo da construção civil.

Esse será o tema do quinto episódio do Cidade Viva, série produzida pela FIABCI-BRASIL e pelo Secovi-SP e exibida semanalmente pela BandNews TV. A reportagem mostrará como as variações dos juros repercutem em toda a cadeia imobiliária, desde o planejamento das incorporadoras até o acesso da população ao financiamento habitacional.

 Quando o custo do dinheiro diminui, o crédito tende a se tornar mais acessível, estimulando lançamentos, investimentos e a contratação de mão de obra. O aumento da demanda também impulsiona estandes de vendas, fornecedores e diversos segmentos ligados à construção civil. Em sentido contrário, juros elevados encarecem o financiamento, reduzem o poder de compra das famílias e levam empresas a rever projetos e adiar investimentos. 

A reportagem também explicará como essas decisões de política monetária ultrapassam o ambiente financeiro e chegam às cidades. A intensidade da atividade nos canteiros de obras, a geração de empregos, o consumo de materiais e o dinamismo do mercado imobiliário estão diretamente relacionados às condições de crédito e às expectativas da economia.

 O tema será analisado por Filipe Pontual, diretor executivo da ABECIP, entidade que representa o sistema brasileiro de crédito imobiliário e poupança, e por Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. Os especialistas abordarão como o comportamento da Selic influencia o financiamento habitacional, a expansão do setor e as perspectivas para o mercado imobiliário brasileiro.

A série Cidade Viva integra a programação especial que antecede o Prêmio Master Imobiliário 2026, promovido pela FIABCI-BRASIL e pelo Secovi-SP. Há mais de três décadas, a premiação reconhece projetos, empresas e profissionais que contribuem para o desenvolvimento urbano, a inovação e a excelência do mercado imobiliário nacional. 

Ao aproximar temas econômicos da realidade das pessoas, o Cidade Viva demonstra que indicadores como a Selic não permanecem restritos aos noticiários financeiros. Eles influenciam decisões de investimento, movimentam a cadeia da construção civil e ajudam a definir o ritmo de crescimento das cidades e o acesso da população à moradia.

Bahia age contra os clandestinos

A campanha Lote Legal, da AELO, de combate aos loteamentos clandestinos, apresenta, nesta semana, três casos de ação das autoridades do Estado da Bahia para investigar e punir envolvidos nesse tipo de crime em três regiões. Na foto, a Chapada Diamantina.

   Chapada Diamantina (Palmeiras, Vale do Capão): O Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga esquemas de grilagem e loteamentos clandestinos potencialmente poluidores. O próprio prefeito do município virou alvo de apurações por omissão na regulamentação urbana. 

  Porto Seguro (TI Aldeia Velha): Uma força-tarefa da Funai, Ibama e Força Nacional realizou uma grande operação na Terra Indígena Aldeia Velha para conter o desmatamento e o comércio ilegal de lotes impulsionados pela especulação imobiliária na região turística.

  Maraú (Praia de Taipu de Fora), paraíso ecológico no Sul da Bahia: A Justiça determinou a demolição de construções não ocupadas no loteamento clandestino "Praia Bela de Taipus". A área invadida estava inserida em zonas de proteção ambiental estadual e municipal.

 


AELO: (11) 3289-1788        www.aelo.com.br

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