AeloOn

Informativo Periódico

AELO – Boletim Informativo 1.101

Ano 25
Nº 1.101
São Paulo
26/08/2026

Na próxima edição, cobertura da Convenção

A equipe de jornalistas da Assessoria de Comunicação da AELO compareceu à Convenção Secovi-SP 2026, ontem e hoje, para cobrir os principais painéis, entre os quais os que se referem a loteamentos, reforma tributária e perspectivas da economia brasileira. A cobertura será publicada no AELO ON da próxima semana. Conforme foi anunciado em dois dos nossos boletins anteriores, os associados da AELO tiveram desconto de 25% nas taxas de inscrição para presença no evento, no Milenium Centro de Convenções, na Vila Mariana, levando-se em conta que vários temas debatidos dizem respeito à atividade dos loteadores. A programação se encerra amanhã, com visitas técnicas. 

Estadão: “O Brasil é hostil ao empreendedor”

Tem sido crescente o número de notícias sobre empresas da indústria, do comércio e de serviços que enfrentam graves prejuízos financeiros, gerando perdas de empregos e até mesmo riscos para a sobrevivência dessas empresas. O caso da derrocada do Grupo Casas Bahia ilustra as agruras de quem investe no País. Desde o custo proibitivo do capital até a insegurança jurídica, tudo conspira para complicar os negócios, como costuma afirmar o presidente da AELO, Caio Portugal.

O jornal “Estadão”, de 151 anos, um dos mais tradicionais e respeitados veículos da mídia brasileira, publicou, na edição de 19 de agosto, o editorial “O Brasil é hostil ao empreendedor”. O AELO ON, atento ao que existe de melhor na imprensa, em época de inúmeras “fake news” em mídias sociais e mesmo em canais de alguma tradição, decidiu reproduzir, a seguir, o texto desse editorial.

 

O Brasil é hostil ao empreendedor

A Casas Bahia anunciou ter entrado com um pedido de recuperação judicial. Depois de oito trimestres consecutivos de prejuízos, a empresa apelou ao recurso para renegociar dívidas de impressionantes R$ 17,3 bilhões. É um cenário inimaginável para um grupo que chegou a ser a maior varejista do País, mas que ilustra bem as agruras de quem investe no Brasil, um país tradicionalmente – e cada vez mais – hostil ao empreendedor.

Historicamente, o custo do capital sempre foi apontado como um dos principais entraves aos negócios, como bem sabem os empresários de pequeno porte. Diante de uma crise, eles não têm alternativa que não seja fechar as portas. Mais recentemente, no entanto, os juros elevados, fruto da irresponsabilidade fiscal do governo, passaram a afetar empresas tradicionais dos mais variados segmentos, como mostram os numerosos casos de recuperação judicial e extrajudicial registrados nos últimos meses.

Em 2025, os pedidos de proteção contra credores na Justiça haviam batido recorde, com 977 processos, o maior volume anual desde 2016, segundo a Serasa Experian. Em abril, dado mais recente, foram 60 processos e, ao todo, 141 CNPJs – 45 em serviços, 43 em comércio, 31 em agropecuária e 22 na indústria.

Os dados são parciais, pois não consideram casos estrondosos como o da Raízen, da indústria de energia, açúcar e álcool, Pão de Açúcar, também do segmento de varejo, e Oncoclínicas, da área de saúde, que preferiram o instrumento da recuperação extrajudicial, que costuma ser mais rápido e barato para empresas de grande porte – a Casas Bahia, inclusive, recorreu a ele em 2024.

Cada empresa, por óbvio, tem suas próprias particularidades, entre as quais má administração e demora para se adaptar aos novos tempos. O caso da Marabraz, por exemplo, envolve não apenas dívidas, mas uma disputa familiar pelo controle da holding, assim como o da Americanas foi de fraude contábil. Ainda assim, as dificuldades do varejo são crescentes e inegáveis.

O pagamento de juros consumiu 45% da capacidade de geração de caixa das 40 maiores empresas do setor no ano passado, segundo reportagem do jornal Valor com base em levantamento da Alvarez & Marsal (A&M). Em 2024, as despesas financeiras correspondiam a 33,3% do resultado das varejistas, segundo a consultoria; em 2023, eram 20%.

O consumidor, por sua vez, já não tem muita disposição nem renda para assumir novas dívidas, a despeito de todas as medidas de estímulo que o governo Lula lançou nos últimos meses. Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias oscilou entre 49,9% e 49,8% entre janeiro e maio, ao redor do pico da série histórica. O comprometimento da renda das famílias, no entanto, continuou a crescer e bateu recorde de 28,5% em maio.

Não por acaso, bancos provisionaram 23% a mais de recursos no primeiro semestre. Como mostrou o Estadão, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander reservaram R$ 91,082 bilhões para enfrentar a piora no mercado de crédito e o aumento da inadimplência.

Mas o custo proibitivo do capital não é o único entrave para o sucesso do empreendedor. Insegurança jurídica, regulação desfavorável, burocracia excessiva, infraestrutura ruim e falta de mão de obra qualificada adicionam desafios que tornam tudo ainda mais difícil. Em um cenário assim, a engrenagem precisa rodar perto da perfeição. Não há espaço para erro, porque não haverá segunda chance.

O impressionante é que nenhum candidato à Presidência da República pareça estar realmente preocupado com nada disso. As promessas invariavelmente se concentram em medidas que ampliam gastos, e mesmo quem defende o corte de despesas não detalha suas propostas. Não parecem se dar conta de algo que o consumidor, as empresas e os bancos já perceberam: a forma como a sociedade tem sustentado a irresponsabilidade do setor público está chegando ao limite. Enquanto as contas públicas permanecerem cronicamente desequilibradas, os juros continuarão extorsivos para todos, sobretudo para os empreendedores.

Editorial publicado em “O Estado de S. Paulo” de 19 de agosto de 2026.

 

“As ruas utilizadas como laboratórios para mudanças transformadoras”

O engenheiro Claudio Bernardes, especialista em cidades, ex-presidente e atual vice-presidente de Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP e membro do Conselho Consultivo da AELO, escreveu o artigo “As ruas utilizadas como laboratórios para mudanças transformadoras”, publicado na Folha Online em 31 de julho.

O AELO ON reproduz, a seguir, o texto que teve grande repercussão.

 

Em todo o mundo, as ruas das cidades, aos poucos, tornam-se laboratórios para transformações sistêmicas. Outrora dominadas pelos carros e otimizadas para a velocidade, as ruas podem ser convertidas em locais de experimentação, testando novas formas de mobilidade, concepção de espaços públicos, governança e adaptação climática.

Essas “experiências de rua” vão desde intervenções temporárias, que duram um fim de semana, até remodelações permanentes que podem reestruturar bairros inteiros. Iniciativas como essas podem induzir mudanças na forma como as cidades são concebidas sob a perspectiva da vida urbana. Inovar por meio da experimentação significa gerar a oportunidade de testar novas soluções, tendo como foco o melhor ordenamento do território urbano e sua operação.

A transformação das vias públicas em “ruas de verão” ou “centros de mobilidade” é exemplo de experiências emergentes em cidades suecas, onde as ruas de verão têm sido utilizadas desde a década de 1980 e cresceram como uma ferramenta de planejamento amplamente adotada. O conceito envolve a conversão temporária de uma rua regular em uma rua para pedestres durante os meses de verão. Mais recentemente, municípios como Malmö também começaram a introduzir o conceito de praças de verão.

Os experimentos nas ruas mostram a possibilidade de criar formas eficientes de reinventar a mobilidade urbana e o espaço público. Eles se concentram no estabelecimento de espaços flexíveis e adaptáveis, que podem ser utilizados para diferentes atividades. Além disso, o mobiliário urbano inovador e a concepção de espaços acessíveis a todos são fundamentais para melhorar a usabilidade e a segurança dos espaços públicos. As experiências de rua trazem valor adicional ao espaço público, atraindo uma diversidade funcional de instalações e podendo, ainda, aumentar a densidade comercial local.

Para estabelecer espaços públicos mais seguros e inclusivos, que estimulem a mobilidade ativa, a semipedestrianização de ruas e praças, por exemplo, pode ser uma excelente alternativa.

A restrição de tráfego em determinados momentos do dia ou em dias específicos, como ocorre nas chamadas “ruas escolares” ou “ruas de jogos”, cria alternativas interessantes para a utilização desses espaços pelas crianças. Ambos os modelos podem ser customizados de acordo com as necessidades específicas da escola e da comunidade no entorno.

Os “Pocket Parks”, que se constituem em pequenos espaços verdes inseridos nas vias públicas, têm também importante papel no aumento da qualidade de vida dos cidadãos, além de ajudar na formação de uma paisagem mais sustentável e vibrante.

As ciclovias temporárias fornecem infraestrutura segura para ciclistas, podendo incentivar os cidadãos a optarem pela mobilidade ativa, permitindo sua circulação com segurança em determinados períodos do dia ou da semana.

Essas experiências de rua podem ser utilizadas como um laboratório, representando um poderoso recurso para implementar transformações urbanas que melhorem e tornem mais vibrante sua ambiência, recuperem áreas degradadas e criem espaços públicos mais seguros e inclusivos.

Os desafios futuros das cidades, com o crescimento da população urbana, são imensos e vão desde a necessidade de resiliência às mudanças climáticas até as consequências do envelhecimento da população. Nesse contexto, a utilização das ruas como laboratórios pode ajudar a estruturar soluções inovadoras e sustentáveis de que necessitamos para lidar com as mudanças econômicas, ambientais e socioculturais em curso nas áreas urbanas.

Artigo publicado na Folha Online em 31 de julho de 2026.

Áreas Urbanizadas 2022: as novidades do estudo do IBGE

Levantamento do IBGE mostra que a mancha urbana ocupa apenas 0,6% do território nacional – e que 12 dos 20 municípios proporcionalmente mais urbanizados do País estão em São Paulo

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 18 de agosto o levantamento “Áreas Urbanizadas do Brasil 2022”, que mapeia por imagens de satélite toda a mancha urbana do País. O resultado mostra que as cidades brasileiras ocupam 53.925 km², o equivalente a 0,6% do território nacional – pouco menos que a área da Paraíba.

Entre 2019 e 2022, essa mancha cresceu 12,27%, incorporando 5.954,99 km², extensão próxima à do Distrito Federal. Metade de tudo o que está urbanizado no País se concentra em cinco Estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. A capital paulista lidera em extensão absoluta, com 922,41 km², seguida por Brasília e pelo Rio de Janeiro.

O dado que mais interessa a quem trabalha com desenvolvimento urbano, porém, está na proporção. Dos 20 municípios com maior parcela do próprio território já urbanizada, 12 pertencem ao arranjo populacional de São Paulo: São Caetano do Sul, Carapicuíba, Osasco, Taboão da Serra, Diadema, Jandira, Poá, Mauá, Barueri, Hortolândia, Ferraz de Vasconcelos e a capital. São Caetano do Sul aparece com 100% da área urbanizada.

Brasília foi o município que mais ampliou horizontalmente sua área urbanizada no período – 72,08 km², mais que o dobro do segundo colocado, São Luís (35,76 km²). No ranking da expansão aparecem ainda quatro municípios da Bahia e três de São Paulo.

O levantamento também mede a concentração litorânea: os municípios costeiros ocupam 5,02% do território brasileiro e reúnem 19,50% de toda a área urbanizada do País. Já a Amazônia Legal, com 59,11% do território nacional, responde por 14,27% das feições urbanizadas. No Sudeste está a maior predominância de urbanização densa: 14.539,63 km², ou 38,13% do total.

Vale lembrar que o estudo interpreta imagens de satélite e, portanto, enxerga telhados. Como observou a analista Andressa Rosas de Menezes, do IBGE, a pesquisa não mede população nem verticalização – o que significa que adensamento e urbanização, aqui, não são a mesma coisa.

“O monitoramento das Áreas Urbanizadas do Brasil é fundamental para compreender a ocupação do território e as dinâmicas da sociedade brasileira. A atualização periódica deste levantamento permite acompanhar a expansão das cidades e as transformações da paisagem, além de subsidiar o planejamento territorial, a implementação de políticas públicas e análises relacionadas à mobilidade urbana, habitação, meio ambiente e sustentabilidade”, aponta a publicação do IBGE.

Para acessar os dados da pesquisa, acesse: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47788-urbanizadas2022

 

Com dados do IBGE e informações de reportagem publicada no “Estadão” de 18 de agosto de 2026 – “Quais as cidades com maior densidade urbana do Brasil? Veja ranking”, por Roberta Jansen

 

AELO na imprensa: o lote como porta de entrada da moradia

A posição da AELO sobre o papel do lote urbanizado no enfrentamento do déficit habitacional brasileiro ganhou repercussão na imprensa especializada. Na sexta-feira, 21 de agosto, Dia Nacional da Habitação, a revista Economia S/A publicou matéria em que o presidente da entidade, Caio Portugal, defende a ampliação da oferta de terra urbanizada e apresenta a campanha institucional “Meu Primeiro Lote”.

O AELO ON reproduz, a seguir, o texto na íntegra.

 

Hoje é Dia Nacional da Habitação: lote urbanizado pode ser parte da solução para o déficit habitacional brasileiro

Setor de loteamentos defende ampliação da oferta de terra urbanizada e defende que terreno pode ser o primeiro passo para a casa própria

Hoje – 21 de agosto – é celebrado o Dia Nacional da Habitação, e coloca novamente no centro do debate um dos maiores desafios urbanos do Brasil: como ampliar o acesso à moradia para milhões de famílias. Para a AELO – Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano, a resposta passa não apenas pela construção de casas, mas também pela ampliação da oferta de lotes urbanizados, regulares e preparados para receber novas moradias.

O setor de loteamentos tem capacidade para aumentar significativamente a oferta de terra urbanizada. De acordo com o presidente da entidade, Caio Portugal, são entregues atualmente cerca de 200 mil lotes por ano no País, volume que poderia chegar a dobrar com melhores condições para o desenvolvimento de novos empreendimentos.

“Quando falamos em déficit habitacional, precisamos falar também de terra urbanizada. Antes de existir uma casa, existe um terreno onde ela será construída. O lote é uma das formas mais acessíveis de entrada no mercado imobiliário e pode ser o primeiro passo de muitas famílias para conquistar a casa própria e formar patrimônio”, afirma Caio Portugal.

Essa visão também está no centro da nova campanha institucional da AELO, “Meu Primeiro Lote”, que apresenta o lote urbanizado como uma porta de entrada para o investimento imobiliário. Com o mote “Invista em um lote. É mais futuro por m².”, a campanha procura mostrar que o lote pode representar mais do que um terreno: pode ser o início da formação de patrimônio, a preparação para a construção da casa própria ou uma oportunidade de investimento de médio e longo prazo.

A campanha também reforça a importância de o consumidor verificar a regularidade do empreendimento e escolher empresas comprometidas com as boas práticas do mercado. A preocupação com a segurança da compra complementa a atuação da AELO por meio do Lote Legal, campanha criada para combater loteamentos clandestinos e orientar o consumidor.

“O Dia Nacional da Habitação é uma oportunidade para discutir não apenas quantas casas precisamos construir, mas como vamos criar as condições para que essas casas existam de forma regular, planejada e integrada às cidades. O loteamento formal produz cidade, infraestrutura e novas possibilidades de moradia. Dar condições para que esse mercado cresça é também uma forma de enfrentar o déficit habitacional”, conclui o presidente da AELO.

Com 45 anos de atuação, a AELO reúne empresas e profissionais ligados ao loteamento e ao desenvolvimento urbano e trabalha pela ampliação da produção de lotes urbanizados, pela segurança jurídica, pelo desenvolvimento ordenado das cidades e pela orientação dos consumidores.

Matéria publicada na revista Economia S/A (economiasa.com.br) em 21 de agosto de 2026. https://economiasa.com.br/blog/hoje-e-dia-nacional-da-habitacao-lote-urbanizado-pode-ser-parte-da-solucao-para-o-deficit-habitacional-brasileiro/

 

 

CBIC empossa nova gestão para o triênio 2026-2029

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) deu posse, na quarta-feira, 19 de agosto, em Brasília, ao Conselho de Administração eleito para o triênio 2026-2029. Eduardo Aroeira Almeida sucede a Renato Correia, que presidiu a entidade entre 2023 e 2026, e anunciou uma agenda estruturada em cinco verbos: incluir, cuidar, qualificar, multiplicar e desenvolver.

Entre as prioridades apontadas no discurso de posse estão o déficit habitacional, a preservação da destinação do FGTS, a busca de novas fontes de financiamento imobiliário e o combate à burocracia – temas que se somam ao debate sobre oferta de terra urbanizada defendido pela AELO. Em 2027, a CBIC completará 70 anos.

O AELO ON reproduz, a seguir, o texto divulgado pela Agência CBIC.

 

“O Brasil precisa ser construído. E construir, nós sabemos fazer”, afirma Eduardo Aroeira na posse da CBIC

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, destacou a importância da construção para o desenvolvimento econômico do país e apresentou os alicerces que devem orientar sua gestão durante a cerimônia de posse, realizada nesta quarta-feira (19), em Brasília. Ao assumir o cargo para o triênio 2026-2029, Aroeira afirmou que a entidade terá uma agenda estratégica estruturada em cinco verbos: incluir, cuidar, qualificar, multiplicar e desenvolver.

“O Brasil precisa ser construído. E construir, nós sabemos fazer”, apontou o presidente da CBIC na cerimônia diante de autoridades, associados e convidados. “A construção é parte essencial do crescimento brasileiro e tem papel estratégico nas transformações que o país precisa e espera. A CBIC seguirá liderando o debate e propondo soluções para os desafios estruturantes, colocando sua força e seu conhecimento a serviço do Brasil.”

Ao justificar a decisão de assumir a presidência da CBIC, Aroeira destacou o alcance da construção na geração de emprego, habitação e infraestrutura. Segundo ele, o setor ultrapassou a marca de três milhões de trabalhadores com carteira assinada e criou cerca de 169 mil vagas no primeiro semestre de 2026. “Nenhuma política pública supera, em velocidade, escala e capilaridade, o alcance de uma obra que começa.” O presidente também citou o déficit habitacional brasileiro e os investimentos em infraestrutura como razões para ampliar a atuação do setor.

Aroeira defendeu o fortalecimento da habitação e a preservação da destinação do FGTS, além da busca por novas fontes de financiamento para o mercado imobiliário. Em cuidado, destacou saúde e segurança do trabalho como prioridades. “Nada vale mais do que a vida do nosso trabalhador. A CBIC entende e tem cultivado o paradigma de que saúde e segurança nos canteiros não são custos: são investimento e respeito.”

O presidente da CBIC destacou o efeito da construção sobre toda a economia e apontou a burocracia como um dos principais obstáculos ao potencial de geração de riquezas do setor. “Nada do que fazemos termina em nós. Todo recurso investido percorre a economia, mas ainda temos na burocracia o adversário silencioso que freia o potencial gerador de riquezas do nosso setor.”

Ao falar sobre sua trajetória, o presidente da CBIC destacou a influência da família e do associativismo em sua formação e agradeceu ao ex-presidente da entidade, Renato Correia, pelo trabalho realizado e pelo processo de sucessão. “Devo à construção quase tudo o que eu sou. Devo a ela, antes de tudo, o exemplo que tenho em casa: um pai para quem servir ao setor é uma forma de servir ao país.” Aroeira também ressaltou os aprendizados adquiridos no canteiro de obras e nas entidades de classe. “Foi num canteiro de obras que eu aprendi que engenharia não é sobre concreto e aço. É sobre gente.”

Ao encerrar o discurso, Aroeira reforçou a importância da atuação coletiva e do papel da CBIC como representante nacional do setor. “Aceitei este desafio porque acredito no nosso setor e acredito no Brasil que ainda será construído. E, mais importante, acredito na CBIC e no seu compromisso com o desenvolvimento do nosso país.” Em 2027, a entidade completará 70 anos de fundação. “Não existe obra de um homem só. A CBIC é forte porque é plural, e é a esta força que eu venho somar.”

Texto divulgado pela Agência CBIC em 20 de agosto de 2026 (cbic.org.br). https://cbic.org.br/o-brasil-precisa-ser-construido-e-construir-nos-sabemos-fazer-afirma-eduardo-aroeira-na-posse-da-cbic/

 

 

Luiz Carlos Ramos, 25 anos de AELO

Das estacas de um loteamento na Cantareira aos mais de 60 anos de profissão, Luiz Carlos Ramos tornou-se o baluarte da comunicação da AELO

Por Arnaldo Grizzo

Em 2001, quatro dirigentes da AELO se sentaram diante de um experiente jornalista do Estadão. À mesa estavam Roland Philipp Malimpensa, então presidente, Caio Portugal, Luiz Eduardo de Oliveira Camargo e Ciro Scopel, para conversar com um homem que já havia coberto três Copas do Mundo, uma Olimpíada em Moscou e colecionava muitos anos de primeira página de um dos maiores jornais do Brasil.

Chamado por Malimpensa, Ramos foi apresentar um projeto: reformular o jornal impresso "AELO Informa", modernizar o site, criar um boletim semanal e ampliar a cobertura das reuniões do Comitê de Desenvolvimento Urbano. Vinte e cinco anos depois, esse projeto frutificou. O jornal foi reformulado. O site, modernizado. O boletim semanal nasceu em 8 de novembro daquele ano e hoje já passou de 1.100 edições, todas escritas por ele. As reuniões do CDU, obviamente, viraram cobertura de rotina.

Hoje, em 27 de agosto, Luiz Carlos Ramos completa 25 anos de AELO.

Relação direta

Sua relação com o mundo dos loteamentos, no entanto, não começou em 2001. O homem que há um quarto de século conta a história do parcelamento do solo no Estado de São Paulo cravou estaca em loteamento antes ingressar no jornalismo. Sua relação com esse universo começa numa estrada de terra da Serra da Cantareira, num Fusca que saía de manhã cedo do Alto de Santana. Ainda adolescente, ele ajudava o pai, o engenheiro Luiz Gonzaga Ramos, na demarcação de lotes e ruas de dois empreendimentos na região. "Lá, hoje, há lindas casas", ele escreveu, em 2021.

Em 1963, Ramos publicou a primeira reportagem, aos 19 anos, no semanário "Mundo Esportivo". Em março de 1966, entrou no diário "Última Hora". Oito meses depois passou nos testes do "Jornal da Tarde", onde ficou três anos na editoria de Esportes. Em setembro de 1969, “atravessou o corredor” (pois as duas redações funcionavam no mesmo andar, num prédio junto à Biblioteca, no Centro) e assumiu a subchefia de Esportes de "O Estado de S. Paulo".

Foram 37 anos ali. Dez deles na chefia da equipe esportiva, função que o levou às Copas de 1974, na Alemanha, de 1978, na Argentina, e de 1982, na Espanha, além da Olimpíada de 1980, em Moscou. Depois vieram a chefia da seção Geral e de Cidades, o posto de repórter especial e, em 1993, a edição da Primeira Página, com editoriais periódicos na página 3. Foram mais de 50 anos dedicados ao Grupo Estado.

Uma de suas coberturas mais memoráveis ocorreu em 11 de março de 2004. Luiz Carlos Ramos estava de férias em Madri quando trens foram atingidos por atentados terroristas. Foi até a Estação Atocha, ligou para o jornal e assumiu a pauta. Assinou a primeira página, ficou mais uma semana cobrindo os desdobramentos e as eleições espanholas. Na volta à redação, o diretor Ruy Mesquita o abraçou: "Você estava lá. Sua cobertura foi fantástica. A sorte só existe ao lado de bons jornalistas."

Momentos

Em 1973, chefiando os Esportes do "Estadão", contratou um repórter de 23 anos chamado Fausto Corrêa Silva. Faustão ficou onze anos no jornal, cobriu com ele a Copa de 1982 e, em 1980, retribuiu indicando-o para a Rádio Excelsior, hoje CBN, a estreia de Luiz Carlos no rádio. São amigos até hoje.

Em outubro de 1983, um jovem desconhecido apareceu na redação pedindo dados sobre a Namíbia e anunciando que pretendia atravessar o Atlântico sozinho, num barco a remo. Ramos, que, dias antes, havia voltado de uma viagem de 19 dias pela África do Sul, onde percorrera dez cidades a caminho de um congresso internacional de jornalistas de rugby, leu as vinte páginas do projeto e acreditou. Publicou a reportagem de Amyr Klink (cujo best-seller, “100 dias entre o céu e o mar”, transformou-se em filme a ser lançado este ano).

Voltando um pouco no tempo, em 1968, no Rio de Janeiro, ele entrevistou Nelson Rodrigues, o “Anjo Pornográfico”, para o "Jornal da Tarde" e guardou uma definição que gosta de repetir: para o brasileiro, a distância entre a fossa e a euforia é de um milímetro. Com o tempo, a adaptou ao jornalismo, e diz: a distância entre o furo e a barriga também é de um milímetro. Furo é a notícia dada em primeira mão. Barriga é a que não se confirma.

Luiz Carlos Ramos foi ainda professor de Jornalismo da PUC-SP por 27 anos, de 1989 a 2016, e do Curso Focas do "Estadão" de 2000 a 2017. Ao todo, orientou cerca de quatro mil alunos, muitos deles hoje em redações do país inteiro.

Em 1998, Ramos estreou na literatura com "Carrasco de Goleiros", biografia de Ronaldo. Em 2001 lançou o segundo: "Vicente Matheus: Quem sai na Chuva é pra se Queimar", a história do dirigente que presidiu o Corinthians por 17 anos e ficou famoso pelas frases tortas. Foi ali, às vésperas do lançamento, no Bar Brahma, que ele foi sondado por Roland Malimpensa – amigo, corintiano e, desde o fim dos anos 1980, sua fonte para reportagens do "Estadão" sobre os projetos urbanísticos da Companhia City em Pirituba, para assumir a comunicação da AELO.

A pedra angular

Na AELO, Ramos se tornou muito mais do que um produtor de conteúdo. "Luiz é a memória viva da AELO. Há 25 anos, registra semanalmente a história da nossa entidade, sempre com sensibilidade ímpar e precisão, preservando fatos, momentos e pessoas que ajudaram a construir essa trajetória", diz Jorgito Donadelli, diretor de Relações Institucionais.

"Luiz Carlos Ramos deu à AELO a visibilidade, bem como a importância e o testemunhal de toda a evolução do setor de loteamentos formais", afirma o presidente Caio Portugal, que estava naquela reunião de 2001 e comanda a entidade desde 2011. "O profissionalismo e a experiência como docente imprimiram à AELO uma comunicação 360 graus, indo além dos assuntos exclusivos ao setor, abordando a relação do segmento com os demais atores do mercado imobiliário e mesmo com os acontecimentos da política, da economia e da sociedade."

Foi por meio dele, lembra Caio, que a AELO firmou a parceria com "O Estado de S. Paulo", da qual nasceram os cadernos especiais e os fóruns. "Nos anos em que presidi a AELO, com a comunicação em suas mãos, a rotina era simples: ele escrevia, me encaminhava e eu aprovava. Os textos já vinham praticamente prontos, pois ele sabia o que a AELO precisava dizer antes que a gente pedisse", conta Luiz Eduardo de Oliveira Camargo, presidente da entidade de 2005 a 2009.

"Ao longo de sua trajetória, Luiz Carlos Ramos teve papel fundamental na divulgação das ações, conquistas e iniciativas da AELO, contribuindo para fortalecer sua imagem e aproximar a entidade de seus associados, parceiros e de toda a sociedade", corrobora Ceci Krähenbühl, da Consurb, em nome da família e da equipe.

"Quando comecei a frequentar a AELO, em 2025, o Luiz Carlos Ramos já estava lá – e foi, desde o início, um professor para mim", diz Elias Zitune, diretor de Assuntos Regionais da AELO. "O que mais me marca nele é o olhar: tudo vira pauta, um assunto se conecta ao outro e, quando você percebe, algo cuja importância ou dimensão você nem tinha notado se transforma numa bela reportagem. Ele sabe captar a notícia no ar." O vice-presidente Luis Paulo Germanos vê nisso um dom: "É notável a capacidade que tem quando, a partir de um simples dizer, consegue transformar uma singela frase em volumoso, elaborado e tão profundo artigo."

Mas Germanos guarda dele, sobretudo, as histórias. "Nossos melhores momentos ganham cor quando estamos sentados e, numa roda de amigos, Luiz assume a palavra para contar suas histórias e passagens de vida. Foi assim em Ribeirão Preto quando, logo após uma delegação da AELO ter se reunido com o prefeito, nos dirigimos ao aeroporto e, enquanto aguardávamos o chamado de nosso voo sob o calor intenso do interior paulista, compartilhamos uma boa cerveja."

Todos os presidentes que a AELO teve desde 2001 são unânimes em apontar a importância de Ramos. Flavio Amary, que presidiu a AELO de 2009 a 2011 e depois o Secovi-SP, foi secretário estadual da Habitação entre 2019 e 2022 e hoje preside a FIABCI-Brasil, diz: "A história da AELO se confunde com a dele. Obrigado por toda a dedicação ao longo de todos esses anos, sempre com comprometimento e responsabilidade."

Tudo é pauta e conhecimento

Quem trabalha com ele se orgulha. "Nossas reuniões de pauta mensais são recheadas de conteúdo histórico, contexto factual e sugestões de temas que agregam valor à AELO, seus associados, e com pegada de interesse para a mídia", diz a assessora de imprensa Vera Moreira. E define, com uma imagem que o próprio nome da entidade parecia estar esperando: "O Luiz Carlos Ramos é o elo que une a memória histórica e jornalística da AELO." O fotógrafo Calão Jorge, que forma dupla com ele nas coberturas desde 2018, diz: "É a pessoa mais discreta e atenta que conheço. Seus textos são claros e dispensam informações a posteriori." Hoje, como não poderia deixar de ser, Luiz Carlos Ramos está escrevendo o livro dos 45 anos da AELO.

Ciro Scopel, presidente do Conselho Consultivo e um dos quatro que o receberam em 2001, corrobora: "Nunca vi alguém com tanta capacidade de extrair matéria de onde quer que seja. Em uma palestra ou reunião do nosso Comitê de Desenvolvimento Urbano, onde frequentemente os temas são bastante técnicos, ele, com suas rápidas e atentas anotações feitas à mão mesmo, reproduz com muita fidelidade o que ali se passou."

O andarilho

Fora do trabalho, Luiz Carlos é o que ele mesmo chama de andarilho, hábito que nasceu de uma emergência, em 1969, quando pegou uma greve de transportes em San Salvador e caminhou 18 quilômetros até o hotel para não perder o voo. Nos anos 1990, na Rádio Trianon, apresentou um quadro diário com curiosidades da capital: "O Andarilho da Cidade". Já esteve em mais de 400 cidades, 61 países e 23 estados brasileiros. Toca de ouvido num teclado pequeno, em casa, o que aprendeu na sanfona quando garoto. Está casado com Maria de Lourdes, tem duas filhas, Maitê e Chris.

Em 2023 publicou "Vida de Jornalista", sua autobiografia em que relata seus 60 anos de imprensa, os 27 de magistério e muitos outros de escritor. Nesta quinta-feira, dia 27, ele completa 25 anos de AELO e esta é uma pequena homenagem a alguém que ajudou a construir a imagem dessa instituição.

 

AELO ON – boletim semanal da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano. Assessoria de Comunicação.

AELO: (11) 3289-1788        www.aelo.com.br

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