AeloOn

Informativo Periódico

AELO – Boletim Informativo 1.094

Ano 25
Nº 1.094
São Paulo
07/07/2026

Faltam 26 dias para o 3.º Fórum

Faltam 26 dias para o 3.º Fórum AELO Estadão de Loteamento Urbano, a ser realizado em 3 de agosto, a partir das 8h, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo. 

O boletim AELO ON, que sai habitualmente às quintas-feiras, está sendo antecipado para esta quarta-feira, dia 8.

Amanhã, 9 de Julho, será feriado no Estado de São Paulo (Movimento Constitucionalista de 1932). A AELO não terá expediente, assim como na sexta-feira, dia 10. A sede retoma as atividades habituais na segunda-feira, dia 13.

Aqui está a logomarca do Fórum.

Já começou a contagem regressiva para o grande evento. A AELO acaba de iniciar o envio de e-mails para os seus associados, alertando para o período de inscrições ao modo presencial e apresentando novos detalhes, como os modos de se acompanhar o Fórum pelas mídias do “Estadão”.

O sucesso do 1.º Fórum (2024) e do 2.º Fórum (2025) levou a AELO, por meio de sua Diretoria, presidida por Caio Portugal, a negociar o prosseguimento da parceria com o jornal “Estadão”, programando o 3.º Fórum e o 5.º Caderno de Loteamentos Urbanos. A parceria começou em novembro de 2022, com o 1.º Caderno, que teve edições também em 2023, 2024 e 2025.

Após reuniões de troca de ideias entre AELO e o “Estadão”, foram escolhidos os temas para o Fórum de 3 de agosto:

  • Guarapiranga, e se isso fosse desenvolvimento urbano realizado pelo setor formal? 
  • Crédito para comercialização e produção de lotes e sua relação com a segurança jurídica na originação? O poder judiciário e a não prevalência da Lei.
  • Saneamento básico, como a Sabesp e a Arsesp estão vendo o desafio e a relação com o setor de desenvolvimento urbano no atendimento das metas de universalização, e como isso pode vir a ser um Benchmarking para o resgate da saúde pública e urbanidade.

Nossos associados devem se preparar para acompanhar os debates que vão discutir desafios e oportunidades para nosso setor. Colaborem, ajudem a difundir este grande evento dos 45 anos da AELO.

Caderno especial sai em 14 de agosto

O Caderno de Loteamentos Urbanos número 5 vai circular em 14 de agosto, uma sexta-feira, encartado na edição impressa do jornal “Estadão”. Os associados da AELO deverão receber pelos Correios os exemplares encomendados pela nossa entidade.

Agradecemos às empresas que se dispuseram a anunciar seus produtos, comprando espaços no Caderno. Trata-se de um valioso apoio financeiro.

O material jornalístico do Caderno será em torno da cobertura do 3.º Fórum, a cargo da equipe de redação do jornal.

Editorial: “Um país dividido pelo esgoto”

O jornal “Estadão”, parceiro da AELO no 3.º Fórum sobre Loteamento Urbano, publicou na edição de 30 de março um editorial bastante oportuno sobre os riscos que o Brasil ainda corre na tentativa de universalizar a coleta e o tratamento de esgoto. Título do editorial: “Um país dividido pelo esgoto”. Às vésperas do Fórum, que tem o saneamento entre os temas, o AELO ON publica novamente o texto do jornal:

Aqui está o texto:

O Brasil não sofre por falta de soluções em saneamento. Sofre por excesso de tolerância com o atraso. O novo ranking do Instituto Trata Brasil reafirma um paradoxo constrangedor: um país de renda média-alta convive com padrões de infraestrutura típicos de nações miseráveis. Mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada, e cerca de 90 milhões – mais de 40% da população – vivem sem coleta de esgoto. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e o saneamento é a expressão mais abjeta desse abismo.

O novo marco legal, aprovado em 2020, redesenhou o setor ao impor metas – 99% de acesso à água e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033 –, exigir contratos com contrapartidas e prazos definidos e abrir espaço à participação privada. Os investimentos cresceram e novos projetos foram estruturados. O País rompeu com o estatismo que por décadas imobilizou o setor. Mas a distância entre o avanço institucional e a execução concreta continua grande.

O quadro já não é de morosidade generalizada, mas de ritmos divergentes e heterogeneidade extrema. Há dois Brasis: um que acelera rumo à universalização e outro que permanece atolado em condições sanitárias ultrajantes. Nos 20 municípios do topo (concentrados no Sul e Sudeste), a coleta de esgoto, por exemplo, serve a 98% da população; nos 20 da base (a maioria no Norte e Nordeste), apenas a 28%.

Os investimentos são a variável decisiva. Os 20 melhores municípios investem em média R$ 176 por habitante (há quem chegue a R$ 572); os 20 piores, R$ 77 (há quem não chegue a R$ 10). O necessário para atingir a meta de universalização, em tese, seria uma média de R$ 225. Mas, na prática, entre os cem maiores municípios do Brasil, a média é de R$ 135, e metade investe menos de R$ 100. Nesse ritmo, a universalização pode ser adiada para 2070 ou mais.

Atrair capital nessa escala exige previsibilidade regulatória, segurança jurídica e capacidade de execução. Em um setor intensivo em investimentos de longo prazo, decisões erráticas afastam investidores, encarecem projetos e retardam obras. Some-se a isso a fragmentação regulatória e a fragilidade técnica de muitos municípios, e o resultado é um sistema que avança, mas de modo desigual e longe da escala necessária.

Onde houve modelagem adequada, regulação estável e metas claras, os resultados apareceram. Concessões e parcerias público-privadas têm ampliado a cobertura e acelerado investimentos. Desde a aprovação do marco, o número de municípios com participação privada passou de menos de 300 para quase 1.800. Segundo a consultoria Inter.B, enquanto os investimentos públicos oscilaram entre R$ 22 bilhões e R$ 14,8 bilhões ao ano, os privados cresceram continuamente, de R$ 7,4 bilhões em 2022 para R$ 31,2 bilhões em 2025. O saneamento avança quando há alinhamento entre incentivos, capital e governança. O Trata Brasil identifica várias ilhas de excelência e cidades em condições e regiões diversas – como Teresina (PI), Guarulhos (SP) ou Juiz de Fora (MG) – que reverteram a estagnação e deram grandes saltos.

O caminho é replicar essas experiências. O risco é perder esse impulso. Flexibilizações indevidas, brechas regulatórias ou tentativas de reverter os pilares do marco legal podem comprometer um processo que, embora ainda incompleto, finalmente começou a produzir resultados.

Se não há soluções mágicas, tampouco há mistério: universalizar o saneamento exige blindar o sistema regulatório dos vícios patrimonialistas e clientelistas que entorpeceram o setor por décadas, fortalecer a capacidade técnica dos entes locais e assegurar estabilidade institucional através de políticas projetadas para durar não pelo período dos ciclos eleitorais, mas por décadas. Exige, sobretudo, que a cultura política trate o saneamento como uma necessidade estruturante, com impactos diretos sobre saúde, produtividade, educação e meio ambiente.

As soluções existem. Falta transformar avanço em escala e intenção em execução. O ganho é duplo. A universalização do saneamento básico é, antes de tudo, uma urgência civilizacional. Mas, além disso, é um ótimo negócio.

CBIC: Correia destaca o fortalecimento

Setor estratégico para o desenvolvimento econômico, com inclusão social e qualidade de vida para as pessoas, a indústria da construção atravessa mais um ciclo marcado por desafios e avanços gerados pela inovação. Representante nacional do setor, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), à qual a AELO é filiada, atuou de forma dedicada, ampliando e fortalecendo seu papel aglutinador do ecossistema da construção, liderando o debate em torno de temas essenciais e fomentando soluções que mitigaram riscos e permitiram desempenho positivo do setor. Este texto é um balanço da gestão do presidente Renato Correia, recém-encerrada.

Entre 2023 e 2026, esse esforço manteve a CBIC à mesa em discussões decisivas como a aprovação da reforma tributária do consumo e sua regulamentação; o aprimoramento do programa Minha Casa, Minha Vida; a defesa dos objetivos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – com foco no provimento de moradia e infraestrutura; a liberação de parte do saldo do recolhimento compulsório para financiamento imobiliário; a formulação da Taxonomia Sustentável Brasileira; a melhoria da Lei de Licitações e outros marcos legais relevantes para a economia e com interface junto ao setor; e mudanças na legislação trabalhista – como a redução da jornada de trabalho e a extinção da escala 6×1.

A CBIC também gerou o conhecimento necessário para apoiar as empresas da construção a escalarem seus negócios com mais previsibilidade e segurança. Nos últimos três anos, a entidade avançou na agenda da sustentabilidade, da industrialização e da inovação, liderando a discussão de soluções que levem a construção brasileira para mais um ciclo de modernização e vanguarda. A entidade posicionou a construção brasileira na agenda da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP) 30 – realizada no Brasil em novembro de 2025; e executou projetos e eventos para levar inovação para a ponta.

Esse trabalho foi liderado pelo engenheiro civil e empresário Renato de Sousa Correia, cujo mandato expirou em 30 de junho. Com ampla experiência no associativismo empresarial – foi presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), implantou e presidiu o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese-GO); e foi vice-presidente do Sinduscon-GO, experiências que o habilitaram a conduzir a entidade nacional. Eleito por aclamação em meados de 2023, Correia deu continuidade à gestão da CBIC e induziu avanços novos tanto organizacionais quanto no apoio às entidades associadas e empresas do setor.

Reconhecido pela habilidade e abertura ao diálogo, seriedade, bom humor e ponderação, o dirigente deixa o cargo acumulando homenagens pelos resultados conquistados pela entidade e o setor ao longo de sua gestão. O CBIC Hoje fez três perguntas a Renato Correia – leia os principais trechos:

Três anos após liderar a CBIC, o que você leva de volta?

Renato Correia – Certamente o reforço da convicção de que não fazemos nada sozinho e de que não é possível conquistar resultado positivo sem acreditar no que estamos fazendo. Presidir a CBIC é uma atividade que traz na essência a integração e o trabalho coletivo. Esse é o DNA da entidade e foi com essa visão que trabalhamos, uma visão de estimular sempre, e cada vez mais, a união da nossa indústria. A união permite discordância, permite visões diferentes e permite, ainda, que a gente cresça junto. Também levo de volta uma visão mais clara do Brasil. Nosso país é muito grande, muito potente, e a CBIC nos permite percorrer os estados, entender sua dinâmica, suas peculiaridades, a força de um setor que está presente na vida das pessoas em todos os lugares. Por fim, levo comigo o orgulho de ter servido a uma entidade com os valores e a competência da CBIC. Foi um período de muitos desafios, mas também de muito aprendizado e alegrias.

Que avanços foram mais marcantes na sua gestão?

Renato Correia. – Do ponto de vista interno, foi muito importante avançarmos com a profissionalização da gestão criando o cargo de presidente executivo. Esse era um sonho antigo, semeado e traduzido no nosso estatuto, e encontramos o momento e o profissional certos para implantar. O Fernando (Guedes Ferreira Filho) foi uma ótima escolha e tem gerado os ganhos que a CBIC precisava, melhorando o manejo do dia a dia. Outro aspecto relevante foi a modernização do ENIC, que teve reforçada a sua agenda internacional, coerente com a atuação da CBIC em fóruns internacionais do setor da construção e do mercado imobiliário. O novo formato está se consolidando e entrega ainda mais conteúdo e relacionamento, protagonismo ao nosso setor.

Nesses três anos, a CBIC também atuou e teve sucesso na defesa de interesses legítimos da nossa indústria. Contribuímos para um desfecho positivo da reforma tributária – com sugestões técnicas que aperfeiçoaram a regulamentação; para o aprimoramento do Minha Casa, Minha Vida – o efeito positivo das novas regras estão traduzidos em números inquestionáveis e a CBIC participou de toda a discussão, mostrando a dinâmica do mercado e pontos de melhoria; e avançamos na pauta da industrialização – o setor da construção foi incluído na Nova Indústria Brasil, a NIB, e temos estimulados as empresas a acelerarem essa adequação.

A pauta de trabalho da CBIC é muito ampla e eu poderia mencionar muitos temas mais, mas não posso deixar de falar sobre a inclusão de mulheres na construção – uma agenda que é estratégica para o Brasil, trazer o público feminino, sua competência e sensibilidade para a nossa indústria; e da capacitação do nosso trabalhador – avançamos nessa pauta, que é essencial para as nossas empresas e para o profissional que está na construção.

Qual CBIC você deixa para o seu sucessor?

Renato Correia. – Importante mencionar que o Eduardo (Aroeira Almeida, presidente eleito da CBIC) já tem um longo período de serviços prestados à CBIC e ao setor. É meu vice-presidente financeiro e colaborou com as gestões anteriores. Isso significa que essa troca de comando vai acontecer de forma natural e sem percalços. Deixo para ele uma entidade ainda mais forte, mais respeitada e muito engajada para trazer resultados novos. Será uma gestão de muito sucesso.

O presidente da AELO, Caio Portugal, cumprimentou Renato Correia pelo sucesso de sua gestão, destacando a liderança da CBIC no movimento das entidades por uma reforma tributária justa. Caio também agradeceu a Correia pelo apoio a eventos da AELO, como os Fóruns de Loteamento Urbano.

Quem é Eduardo Aroeira, novo presidente

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) informa que iniciou, em 1.º de julho, uma nova fase de sua atuação institucional com o início da gestão de 2026-2029. Liderado pelo empresário Eduardo Aroeira Almeida, até então vice-presidente financeiro da entidade, o mandato acontece em momento desafiador para o setor, marcado pela implementação da reforma tributária, a necessidade de escalar a produtividade e reverter a escassez de mão de obra, e o avanço das políticas habitacionais e de infraestrutura.

Nascido no Distrito Federal e engenheiro civil, Aroeira Almeida tem uma trajetória consolidada no associativismo da construção. É sócio-diretor da Apex Engenharia e preside o Serviço Social da Indústria da Construção do Distrito Federal (Seconci-DF). Também foi presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (ADEMI DF) por dois mandatos consecutivos.

Ele assume a presidência da CBIC disposto a dar continuidade às pautas estratégicas da entidade e fortalecer o diálogo institucional em defesa da indústria da construção, com vistas a produzir avanços. Em entrevista exclusiva ao, Eduardo Aroeira Almeida fala sobre as prioridades da nova gestão, os desafios econômicos e regulatórios do setor, o acesso ao crédito, a escassez da mão de obra, a industrialização da construção e as perspectivas para os próximos três anos. Leia os principais trechos:

O senhor tem longa trajetória no associativismo da construção e já colaborava com a alta direção da CBIC em mandatos anteriores. Como recebeu a indicação do seu nome e formou a diretoria que o acompanha?

Este convite foi uma grande honra para mim e carrega desafios muito grandes, não apenas pelo cenário do nosso setor, como pela importância de suceder ao Renato Correia e José Carlos Martins, líderes com quem eu tive o prazer de trabalhar e que me ensinaram muito. Mais que isso, são líderes que fizeram da CBIC a representação que é hoje e contribuíram para a expansão e o fortalecimento da construção brasileira, avançando com um projeto iniciado em 1957. Ser eleito presidente da CBIC, em uma transição sem disputa interna e por aclamação, me honra e alegra muito.

A diretoria que assume comigo foi construída com uma visão de renovação e consolidação da nossa representação regional. A presença em todo o Brasil é uma marca registrada da CBIC e fator essencial da sua importância, da qualidade do seu trabalho e dos resultados que nossa entidade gera para o setor. O colegiado deste mandato traz mudanças pontuais, respeitando a atuação de profissionais cuja contribuição é emblemática para a construção brasileira e cujo legado seguirá conosco.

Quais as prioridades da CBIC nesta nova gestão? 

Nossa gestão será de continuidade e busca por avanços. A CBIC tem atuado junto ao poder público para fomentar uma melhoria no ambiente de negócios e na segurança jurídica, de forma a criar as condições para a manutenção do investimento nos diversos segmentos da construção. Manter e estimular a atividade do nosso setor é essencial para a geração de emprego e renda, assim como para garantir qualidade de vida para a população seja pelo provimento da moradia, seja pela melhoria da infraestrutura nas cidades.  Dentre nossas prioridades, está o avanço na industrialização do setor, na pauta de inovação e absorção de novas tecnologias, na melhoria do acesso ao financiamento para o mercado imobiliário, na capacitação da nossa mão de obra dentre outros temas que são estratégicos para o tomador de decisão. Vamos atuar, também, pelo fortalecimento do associativismo, mantendo a integração e coesão de nossas associadas. A agenda de trabalho da CBIC é ampla e vamos avançar com ela.

Quais os desafios para manter o crescimento do setor da construção em nível nacional? 

Temos enfrentado desafios em diversos campos e vou apontar os mais relevantes. No campo econômico, a política monetária é um aspecto crítico para a atividade empresarial e a manutenção da taxa básica em patamares altos é, certamente, um fator de preocupação para o empresário do setor. A redução da Selic tem acontecido em uma velocidade e magnitude menores que o desejável para impulsionar a atividade da construção, especialmente do mercado imobiliário, e nossa expectativa é que continue caindo.

No campo da regulação, a implementação da reforma tributária é outro fator relevante para o nosso setor. Nossas empresas estão atravessando o período de transição, adequando processos para atender as novas regras e medindo os impactos do novo arcabouço sobre o negócio. A CBIC continua apoiando suas entidades associadas e as empresas nesse esforço, de forma que a reforma tributária gere os ganhos esperados por todos os brasileiros. Para nós, a reforma pode criar as condições para escalar a industrialização da construção brasileira e este é um efeito positivo.

Outro aspecto desafiador está na pauta trabalhista, seja pela escassez de mão de obra, pela baixa produtividade do setor ou pela discussão açodada da redução da jornada de trabalho e extinção da escala 6×1. O trabalhador é o mais importante ativo do nosso setor e temos discutido como resgatar a atratividade do setor da construção, assim como buscado mecanismos para qualificar nossa mão de obra.

Como ampliar o acesso à moradia no Brasil?

No nosso entendimento, cada vez mais é importante dispormos de instrumentos que garantam acesso à casa própria no Brasil. A moradia digna é um direito inscrito na Constituição, o déficit habitacional vem caindo, porém em um ritmo menor que o necessário para tirar da moradia precária ou do aluguel a população que ainda precisa de habitação. Para avançar nesse desafio, será importante fortalecer e ampliar, cada vez mais, políticas públicas destinadas à democratização do acesso à moradia. Nesse campo, o programa Minha Casa, Minha Vida tem um papel importante e a recente inclusão da classe média entre os beneficiários terá um feito positivo não apenas para o setor, como especialmente para a população. Além disso, medidas que ampliem o volume de recursos para produção também farão diferença, dando às empresas condições para fazer mais lançamentos.

Como o Brasil pode melhorar a competitividade da economia?

Esse é um debate estratégico para o país e a CBIC tem participado ativamente dessa pauta. A competitividade da economia brasileira exige o aumento do investimento em infraestrutura, mesmo considerando os avanços registrados nos últimos anos. Considerando as dimensões continentais do Brasil, é cada vez mais importante garantirmos os recursos necessários para manter o que já temos e avançar em uma pauta que envolve a ampliação dos diversos modais.

Em um país majoritariamente rodoviário, estabelecer um plano estratégico para combinar outros modais é importante. Falo de ferrovias e hidrovias. Essa é uma agenda antiga e o Brasil tem avançado devagar, com uma atuação muito forte da iniciativa privada. Para isso, é essencial melhorar o ambiente de negócios e dar mais segurança jurídica às empresas que atuam nesse segmento. A CBIC tem buscado sensibilizar o poder público para reverter o uso de pregão eletrônico para a contratação de obras e serviços de Engenharia, gargalo importante que impacta os projetos de infraestrutura. Essa é uma questão urgente.

A industrialização da construção é um caminho consolidado no Brasil? 

Sim. O setor da construção brasileiro tem passado por uma evolução muito significativa na busca por produtividade e por novos métodos construtivos. Um grande exemplo são as construções pré-moldadas e as construções em paredes de concreto no Minha Casa, Minha Vida, que modificaram bastante a forma de construir, trazendo mais produtividade e viabilizando esse programa social tão importante. A velocidade dessa mudança, porém, é muito grande, e nossas empresas têm buscado alternativas para enfrentar a dificuldade de mão de obra, com investimentos em novas tecnologias voltadas ao aumento da produtividade.

A escassez de mão de obra qualificada preocupa o setor?

Essa é uma grande preocupação para o setor e a CBIC tem atuado em diversas frentes para endereçar respostas e apoiar as empresas. A diversificação de atividades econômicas, combinada aos benefícios oferecidos por programas sociais, reduziram a atratividade do setor e temos menos novos entrantes. As empresas da construção enfrentam dificuldade para contratar e manter tanto a mão de obra qualificada quanto a menos qualificada, embora seja o segmento da economia que oferece o mais alto salário de entrada no país. A CBIC acredita que parte importante da solução para a escassez de mão de obra passa pelo investimento em novas tecnologias. A modernização dos processos construtivos, a industrialização da construção e a incorporação de ferramentas digitais têm potencial para aumentar significativamente a produtividade do setor.

Qual legado o senhor espera deixar à frente da CBIC? 

Dois temas vão permear todas as ações da CBIC no nosso mandato. O primeiro é a segurança jurídica e o ambiente de negócios. Esse entrave é um dos mais prejudiciais ao desenvolvimento do país. O setor da construção atua em um território continental, com diversas regulações e variações de entendimento jurídico, o que faz com que o desenvolvimento econômico e social gerado pelo setor permaneça muito aquém do possível. A luta histórica da CBIC por um melhor ambiente de negócios será tema recorrente, como forma de gerar mais renda e prosperidade para o país. O segundo tema é o funding. Em um país que convive com uma taxa básica de juros elevada de forma endêmica, a busca por novas formas de financiamento da construção é imperativa. Ao final do nosso mandato, espero termos contribuído para que fique cada vez mais clara para a sociedade a importância da indústria da construção para o desenvolvimento do Brasil.

Caio é um dos vice-presidentes/CBIC

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) inicia, nesta quarta-feira (1º), um novo ciclo institucional com o início da gestão 2026–2029. Liderada pelo presidente Eduardo Aroeira Almeida, a nova diretoria assume com a missão de fortalecer a representatividade do setor e ampliar o diálogo em torno dos principais desafios da indústria da construção brasileira. Caio Portugal, presidente da AELO, é um dos vice-presidentes. Aqui estão os integrantes da nova gestão:

PRESIDENTE  

Eduardo Aroeira Almeida | DF  

VICE-PRESIDENTE ADMINISTRATIVO  

Marcos Mauro Pena de Araújo Moreira Filho | PR  

VICE-PRESIDENTE FINANCEIRO  

Alfredo Guttenberg de Mendonça Brêda | AL   

VICE-PRESIDENTES REGIONAIS  

Cezar Valmor Mortari | Região Centro-Oeste | GO   

Clerlânio Fernandes de Holanda | Região Norte | RR   

Patriolino Dias de Sousa Teixeira e Silva | Região Nordeste | CE  

Raphael Rocha Lafetá | Região Sudeste | MG  

Ricardo Dias Michelon | Região Sul | RS    

VICE- PRESIDENTES DE ÁREAS   

Vice-Presidente da Área de Habitação de Interesse Social (CHIS) | Clausens Roberto de Almeida Duarte | CE   

Vice-Presidente da Área de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) | David de Oliveira Fratel | SP   

Vice-Presidente da Área de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT) | Dionyzio Antonio Martins Klavdianos | DF  

Vice-Presidente da Área da Indústria Imobiliária (CII) | Ely Flavio Wertheim | SP   

Vice-Presidente da Área Jurídica (CONJUR) | Felipe Melazzo de Carvalho | GO  

Vice-Presidente da Área de Obras Industriais e Corporativas (COIC) | Ilso José de Oliveira | MG    

Vice-Presidente da Área de Responsabilidade Social (CRS) | Maria Inês Menegotto de Campos | RS  

Vice-Presidente da Área de Meio Ambiente (CMA) | Nilson Sarti da Silva Filho | BA     

Vice-Presidente da Área de Infraestrutura (COINFRA) | Vinícius Augusto Pereira Benevides | RJ   

VICE-PRESIDENTES  

Alberto Scheeffer Stein | SC   

Alexandre Landim Fernandes | BA  

Caio Carmona Cesar Portugal | SP   

Carlos Augusto Emery Cade | PR  

Carlos Eduardo Lima Jorge | SP   

Celso Pimentel Fraga Filho | MG   

Claudio Medeiros Netto Ribeiro | RJ   

Claudio Teitelbaum | RS   

Fábio Ribeiro Nahuz | MA   

Guilherme Araújo Fortes | PI   

Henrique Jorge Medina Neto | AM   

Hidebrair Henrique de Freitas | GO   

José Elias Fernandes Abul Hiss | SP   

Marco Antonio Corsini | SC   

Marco Aurélio Alberton | SC  

Maria Elizabeth Cacho do Nascimento | PE  

Maria Rita de Cássia Singulano | SP   

Paulo Roberto de Morais Muniz | DF   

Rafael Sacchi | RS  

Ricardo Parzianello | PR   

Sérgio Augusto Nascimento Smith Junior | SE   

Sérgio Henrique Andrade de Azevedo | RN   

SUPLENTES:  

Avelar de Castro Loureiro Filho | PE  

Barbara Paludo | SC   

Bruno Baeta Ligório | MG   

Claúdio Cunha | BA   

Douglas Luiz Vaz da Silva | ES   

Lamartine Alves Pereira | PB   

Luiz Afonso Delgado Assad | DF   

Maria Eugenia Fornea | PR   

Ozaes Barros Mangueira Filho | PB  

Rafael Goellner Garcia | RS   

Rogério Yabiku | PR   

Russell Rudolf Ludwig | SP   

Samir Frazzon Samara | RS   

CONSELHO FISCAL  

Titulares:  

Abel Pickler Sgarioni | PR   

José Eugênio Souza de Bueno Gizzi | PR   

Murillo Estevam Allevato Filho | RJ   

Suplentes:  

Fabrizio de Almeida Gonçalves | PA   

Fernando Coe Razuk | GO  

Ricardo Beschizza | SP   

Secovi-SP inaugura sala Romeu Chap Chap

Em 24 de junho, a diretoria do Secovi-SP se reuniu para inaugurar oficialmente a sala Romeu Chap Chap, localizada no terceiro andar da sede, com a presença da atual diretoria do Secovi-SP e membros do conselho da entidade.

Carinhosamente chamado de o “Senhor Habitação”, Romeu recebeu a homenagem diretamente do atual presidente do Secovi-SP, Jorge Cury, de Samir Abdenour, membro do conselho consultivo nato do Secovi-SP e Paulo Germanos, ex-presidente do Secovi-SP.

Bastante emocionado Chap Chap esmiuçou algumas palavras após a homenagem. “O Secovi-SP, com o qual eu participo há quase 50 anos, tem sido uma entidade que tem levado aos governos desse país o crescimento da indústria imobiliária e procurando resolver o problema da baixa renda. Essa entidade realmente é uma entidade de muito prestígio e atração. Atividade intensa em prol da moraria digna ao nosso povo brasileiro. Então o Secovi-SP existe, está aí, permanentemente lutando para que esse princípio continue, como estamos vivendo ultimamente. O Secovi-SP está de parabéns. Todo mundo que trabalha nessa entidade tem ajudado o crescimento do Brasil.”

O espaço “Romeu Chap Chap” será utilizado para a realização de reuniões e eventos da entidade e também aula de cursos da Unisecovi.

O senhor habitação

Romeu Chap Chap, 92 anos, é engenheiro formado pela Universidade Mackenzie em 1959. Durante a década de 60 fundou sua própria construtora, a RCB Construtora. A partir da década de 70, o empresário passou a frequentar o Secovi-SP, entidade que se conectou e ampliou seu relacionamento com empresários do setor.

Em 1981, foi eleito presidente do Secovi-SP pela primeira vez, cumprindo dois mandatos consecutivos até 1987. Em 2000 retornou novamente ao cargo onde permaneceu por sucessivas reeleições até 2007.

Seu estilo de gestão ficou conhecido como “Olho no Olho”, marcando uma fase em que o Secovi-SP deixou de ser apenas um sindicato para se tornar um agente político atuante, dialogando constantemente com presidentes, ministros e prefeitos para o desenvolvimento de políticas públicas de moradia.

Ao longo de sua trajetória profissional, Chap Chap construiu mais de 100 edifícios e seu trabalho sempre teve como meta o direito à moradia digna e a valorização do setor imobiliário brasileiro.

AELO: (11) 3289-1788        www.aelo.com.br

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