AeloOn

Informativo Periódico

AELO – Boletim Informativo 1.083

Ano 24
Nº 1.083
São Paulo
22/04/2026

Criador do curso Gerente de Cidade lança livro

Aos 22 anos, Victor Mirshawka, cidadão brasileiro nascido na Ucrânia, ficou famoso. Era um craque no basquete. Com ele, o Brasil ganhou, no Rio, em 1963, o título mundial, derrotando os poderosos times dos Estados Unidos e da União Soviética. Este foi o quinteto escalado pelo técnico Togo Renan Soares, o Kanela: Victor, Amaury, Sucar, Rosa Branca e Wlamir.

Em 13 de abril, Victor, aos 85 anos, a serem completados na próxima segunda-feira, 27 de abril, lançou seu novo livro, a autobiografia “Gratidão à Vida”, depois de ter produzido dezenas de outros livros.

Na foto, a capa do livro, em que cada um dos cinco dedos da mão representa uma atividade profissional de sucesso na vida de Victor: esportista, engenheiro, professor, escritor de dezenas de livros e gestor. Ele foi o criador do curso de pós-graduação Gerente de Cidade, na Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Penteado Gmail (Faap), em São Paulo, que contou com o apoio de dirigentes do setor imobiliário, entre os quais Romeu Chap Chap, então presidente do Secovi-SP, e Luiz Carlos Pereira de Almeida, (1926-2020), ex-presidente da FIABCI Brasil e da FIABCI Mundial e diretor fundador da Sobloco Construtora, empreendedora da Riviera de São Lourenço. Pereira de Almeida, entusiasmado com o curso, tratou de divulga-lo entre seus amigos e parceiros, e vários deles se inscreveram na Faap.

Há um motivo especial para Victor Mirshawka se orgulhar do Gerente de Cidade e até ter dedicado um capítulo de seu livro a essa iniciativa: aplicado inicialmente em São Paulo, o curso se espalhou pelo Brasil e cumpre o objetivo de unir membros da iniciativa privada interessados em ajudar o poder público a solucionar os problemas das cidades.

Bingo!  É por isso que “Gratidão à Vida”, ocupa espaço nesta edição do AELO ON: muitos dos atuais dirigentes do setor imobiliário cursaram o Gerente de Cidade ou indicaram parceiros para fazer o curso.

O jornalista Luiz Carlos Ramos, assessor de Comunicação da AELO, fez questão de viajar 72 quilômetros até o município de Vinhedo, dia 13 de abril, a convite do seu amigo Victor Mirshawka, e garantir a este boletim a cobertura do lançamento do livro, no enorme centro de esportes e lazer Wet’n Wild. Entre piscinas e tobogãs que fazem a alegria dos frequentadores, o local conta com um grande auditório, onde mais de 400 pessoas acompanharam uma palestra de Victor e os depoimentos de ex-jogadores de basquete e de professores e ex-alunos dos cursos de Engenharia do Mackenzie e da Faap.

Perante o público, Luiz Carlos explicou que conheceu Victor há 55 anos. Em 1971, como jornalista do “Estadão”, ele acompanhou o time de basquete do Esporte Clube Sírio à cidade de Arequipa, junto à Cordilheira dos Andes, no Peru, onde seria disputado o Campeonato Sul-Americano de Clubes. Na época, Victor era um dos cestinhas da equipe, ao lado de craques como Sucar e Mosquito, oito anos após a conquista do bi mundial pela seleção. O Sírio ganhou facilmente o título, superando também o problema da altitude de Arequipa, 2.335 metros acima do nível do mar. Entre jogos, treinos e passeios da delegação, Victor, já formado em Engenharia pelo Mackenzie, tratava de estudar matemática e técnicas de construção. Os livros tornaram sua bagagem mais pesada que as dos companheiros.

A cobertura do evento de Vinhedo prossegue nas duas próximas notas do AELO ON.

Um professor a favor da criatividade e contra o cigarro

Esta foto, de 25 anos atrás, que aparece na página 180 do livro “Gratidão à Vida”. Mostra Victor Mirchawka, diretor Cultural da Faap, recebendo o então presidente do Secovi-SP, Romeu Chap, para levarem adiante a parceria pelo curso Gerente de Cidade, que logo se tornou sucesso. Victor defende a importância da criatividade em qualquer setor do trabalho, e costuma dizer que o número 13 lhe dá sorte, assim como fazia o técnico Zagallo, campeão mundial de 1970 com a seleção brasileira de futebol. Outra característica do autor do livro é exposta nas páginas: ele é contra o cigarro. Na vida, jamais fumo e sempre procurou alertar seus alunos a respeito dos problemas de saúde e de comportamento provocados pelo vício do tabaco.

Victor relembra que para montar o programa do curso Gerente de Cidade, contou com a ajuda de vários especialistas em construção civil, urbanistas e, especialmente, o apoio de dois prefeitos da época no Interior paulista: Geraldo Macarenko, do município de Leme, e Walter Caveanha, de Mogi Guaçu.

Uma vez lançado o projeto, Victor conseguiu apoio do então vice-governador de São Paulo, Claudio Lembo, que havia sido reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. E passou a visitar várias cidades do Interior. Em Ribeirão Preto, fechou acordo com o prefeito Welson Gasparini e montou um Gerente de Cidade destinado exclusivamente para profissionais daquela região.

Casado há 61 anos com Nilza Maria, Victor tem três filhos (Victor Júnior, Sérgio e Alexandre) e vários netos.

Em 1963, um grande título do esporte brasileiro

Esta foto é de 1963: o jogo em que o Brasil derrotou os Estados Unidos por 85 a 81 e conquistou o título mundial de basquete. O ginásio Maracanãzinho, no Rio, lotado, aplaudiu os heróis brasileiros, que também haviam vencido a poderosa União Soviética.  Victor, que aparece controlando a bola, à esquerda, marcou 17 pontos na final. No centro, o grande jogador Amaury Pasos, tentando superar a marcação de um americano.

Foi um grande título para o esporte brasileiro. Alguns meses de ganhar o bi Mundial, o Brasil havia sido vice-campeão de basquete nos Jogos Pan-Americanos, realizados em São Paulo, perdendo apenas para os Estados Unidos.

O reencontro do atleta com o jornalista

Em 1971, Victor estava com 30 anos, havia decolado em sua carreira universitária e pretendia encerrar sua trajetória, em que já havia conquistado medalhas de campeão mundial de 1963 e de vários outros títulos. Mesmo assim, se empenhava nos jogos pelo Esporte Clube Sírio no Brasil e no exterior. Seu time era um dos melhores do Brasil e costumava ter a equipe de Franca como principal rival. Em novembro de 1971, Victor embarcou para Lima, no Peru, ao lado de Sucar, Dodi, Mosquito, Moutinho e outros jogadores. Da capital peruana, a delegação, chefiada pelo dirigente Ruy Dip e tendo como técnico Moacir Daiuto, seguiu em outro avião para a segunda maior cidade do país: Arequipa, encravada junto ao vulcão Misti, na Cordilheira dos Andes.

Situada a 2.335 metros de altitude acima do nível do mar, Arequipa, com seu ar rarefeito, a exemplo de La Paz, Quito, Bogotá e Cidade do México, costuma ser um obstáculo para atletas brasileiros, que vivem em cidades ao nível do mar ou de baixa altitude. Mas Victor e outros jogadores souberam se preparar para isso. E venceram todos os seis adversários no Campeonato Sul-Americano de Clubes.

A viagem e o título foram relatados ao Brasil pelo jornalista Luiz Carlos Ramos, então editor-chefe do “Estadão”, que fez parte da delegação do Sírio. Em Arequipa, Luiz Carlos fez várias entrevistas com Victor. Na volta ao Brasil, cada um seguiu seu caminho: o jornalista enfrentou novos desafios no “Estadão”, em rádios, em TV e no Curso de Jornalismo da PUC-SP, enquanto Victor decolava, de vez, no campo universitário, mostrado com todos os detalhes em “Gratidão à Vida”.

Ao montar a lista de convidados para o evento de 13 de abril, fez questão de colocar Luiz Carlos. E, afinal, 55 anos depois, houve o reencontro, em Vinhedo. A foto foi tirada no restaurante do Wet in Wild. Luiz Carlos foi até a mesa em que Victor estava sentado para o almoço, deu-lhe um abraço e tratou de garantir esta foto, destaque ao astro do dia. É claro que o assunto seria interessante também para os leitores do AELO ON.

Na sua explanação ao público, alguns minutos antes, o jornalista relembrou que coube a ele, em maio de 1992, no Rio, fazer a última entrevista com Togo Renan Soares, Kanela, o maior técnico de basquete de todos os tempos. Tio de Jô Soares, Kanela estava doente e viria a falecer em dezembro daquele ano, aos 86 anos. A entrevista foi publicada em duas páginas do livro da biografia de Kanela. Em outras páginas, Kanela analisou os jogadores que foram seus pupilos na conquista dos títulos mundiais de 1959 e de 1963. Ele assim definiu Victor: “Um craque, que joga com a matemática”.

Por essa explanação, Luiz Carlos recebeu uma bola oficial de basquete, presente do representante da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Para ir a Vinhedo, Luiz Carlos Ramos foi beneficiado pela gentil carona do engenheiro Mario Manzoli Júnior, que foi aluno do professor Victor no Mackenzie, e da jornalista Conceição Duarte, companheira do grande jornalista esportivo Orlando Duarte, falecido há cinco anos. Orlando escreveu mais de dez livros, inclusive a biografia de Pelé e vários almanaques de Copas do Mundo.

Lamentavelmente, a semana teve um final triste para o mundo do basquete, a morte do maior cestinha de todos os tempos, Oscar Schmidt, que mereceu amplo espaço na mídia. Oscar foi um recordista de pontos pela seleção brasileira e defendeu vários clubes, entre os quais o Sírio, o Corinthians e o Flamengo. Nos últimos meses, quatro outros personagens importantes do basquete brasileiro haviam partido: o grande jogador Marquinhos, o técnico Claudio Mortari, da conquista do Mundial de Clubes de 1979 pelo Sírio, e os maravilhosos Amaury Pasos e Wlamir Marques, destaques nos Mundiais de 1959 e 1963 e em campeonatos de clubes.

A bela revista da Riviera de São Lourenço

Aqui está a capa da “Revista da Riviera de São Lourenço”, edição do Verão de 2026, uma publicação quadrimestral da Sobloco Construtora, de alta qualidade, que serve de exemplo para outros empreendimentos imobiliários. Foi lançada há 24 anos. A Riviera, situada no município de Bertioga, Litoral Norte, a 130 quilômetros de São Paulo, começou a ser implantada nos anos 1970 e ganhou impulso nos anos 1980.

A revista, de distribuição gratuita, tem 120 páginas, em papel cuchê brilhante no formato de 27 cm por 35 cm.

A editora-executiva da publicação é Beatriz Pereira de Almeida. Ela com uma equipe de repórteres e articulistas, que focalizam as novidades da Riviera, como a ampliação do Shopping Center, a reforma do centro de equitação e eventos culturais, arquitetura, decoração, além de entrevistas com proprietários de casas e apartamentos no grande empreendimento.

Artigo de Luiz Augusto Pereira de Almeida

Luiz Augusto Pereira de Almeida (foto), diretor de da Sobloco Construtora e membro do Conselho Fiscal da AELO, escreveu o artigo “Cidades são laboratórios para reinventar a agenda do clima”, publicado na página 52 da “Revista da Riviera de São Lourenço”, edição do Verão de 2026.

O AELO ON reproduz, a seguir o interessante artigo de Luiz Augusto.

Ante a falta de progressos no cumprimento do Acordo de Paris e no quesito fundamental da eliminação dos combustíveis fosseis, é importante ficar atento às recomendações do “Relatório Cidades e Ação Climática da ONU-Habitat. O documento chama atenção para um ponto importante: ninguém que mora em áreas urbanas vai escapar dos efeitos do clima extremo. As ondas de calor já são mais fortes, as tempestades chegam com mais violência e as secas duram mais tempo.

São bilhões de pessoas no mundo, inclusive no Brasil, que vão enfrentar riscos maiores e mais constantes. E isso já está acontecendo e não é previsão distante. Basta lembrar dos verões cada vez mais quentes, das enchentes que paralisam cidades inteiras, ou mesmo de tufões, como o que arrasou recentemente a cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu.

Porém, a crise climática não atinge todo mundo da mesma forma. Quem mora em áreas precárias, longe dos serviços públicos, em moradias frágeis ou mal localizadas sente antes e de maneira pior e mais intensa. A desigualdade urbana vira combustível para ampliar o desastre climático. É por isso que o relatório destaca a importância de políticas que pensem na vida real das pessoas, principalmente das mais vulneráveis. Cuidar do clima também é uma questão de justiça social.

As cidades precisam reagir. Com planejamento, investimento e boa gestão, é possível diminuir emissões, proteger a população e tornar os espaços urbanos mais seguros. Isso passa por melhorar a infraestrutura das ruas, saneamento básico, drenagem, moradia e transporte, bem como garantir que tudo isso seja resistente às mudanças no clima. Mas, também significa rever a forma como ocupamos o território e como desenhamos nossas cidades.

É nesse ponto que entra uma solução essencial e muitas vezes mal compreendida: o adensamento urbano. Cidades mais adensadas, com moradia perto do transporte, dos serviços e das oportunidades de trabalho, reduzem deslocamentos, diminuem emissões, facilitam o acesso a empregos e tornam a vida urbana mais eficiente.

São Paulo, por exemplo, quando investe em adensar áreas com metrô, corredores de ônibus e infraestrutura pronta, evita que as pessoas sejam empurradas para longe, onde o transporte é caro, o acesso é mais difícil e os riscos climáticos são maiores. É melhor crescer para cima e com qualidade do que se espalhar para longe sem estrutura.

Além disso, o relatório destaca que soluções baseadas na natureza — mais árvores, áreas verdes, parques e rios recuperados — ajudam a refrescar a cidade, melhorar o ar e reduzir enchentes. Entretanto, tudo isso funciona melhor quando a estrutura urbana é compacta e bem conectada. Uma cidade espalhada demais custa mais caro, polui mais e deixa as pessoas mais expostas. Quando adensada e planejada, reduz custos, aumenta eficiência e melhora a qualidade da vida.

Por fim, o relatório da ONU-Habitat lembra que falta dinheiro para tudo isso: o mundo teria de investir trilhões de dólares por ano para adaptar as cidades ao clima. Mas, também mostra que o caminho da solução existe, e passa por cidades mais justas, mais verdes e mais compactas. Não é apenas uma questão de salvar o planeta; é sobre viver melhor, com mais segurança, dignidade e qualidade.

Em síntese, se quisermos enfrentar a crise climática, precisamos olhar com carinho para onde tudo acontece, ou seja, as cidades, e apostar em um crescimento urbano inteligente e adensado, como São Paulo tem começado a fazer em algumas regiões. O futuro urbano e do clima depende muito disso.

O tema 6 x 1: opinião de José Pastore

O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, na semana passada, projeto de lei que propõe o fim da escala de trabalho 6 × 1, modelo em que se trabalha seis dias para um de descanso, e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição de salários. A medida foi formalizada por meio de mensagem publicada em edição extra do “Diário Oficial da União”. 

A iniciativa, já anunciada na semana anterior, foi consolidada após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A discussão sobre o tema no Congresso Nacional deverá durar algumas semanas ou até meses, por conta das características do projeto de estilo populista, próprio do atual presidente da República.

O texto foi encaminhado com pedido de urgência constitucional. Com isso, a Câmara dos Deputados terá até 45 dias para analisar a proposta. Caso o prazo não seja cumprido, a pauta do plenário ficará trancada para outras deliberações, salvo se o governo optar por retirar a urgência. 

A imprensa tem dado destaque à possibilidade de mudança da escala.

O jornal “Estadão”, por exemplo, publicou entrevista com o experiente sociólogo José Pastore

A seguir, os principais trechos da entrevista:

 

Em que medida a inteligência artificial vai substituir o trabalho humano?

Um trabalho recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que a inteligência artificial vai afetar muito mais o mercado de trabalho dos países avançados do que dos países em desenvolvimento. Nos países avançados, a quantidade de profissões e ocupações intelectualizadas é muito grande, mas a capacidade de requalificar e repaginar as pessoas também é muito grande. Isso começa pelo fato de o trabalhador ter tido uma educação básica de boa qualidade. Embora as tecnologias não destruam tantos empregos no Brasil quanto destroem, por exemplo, na Holanda, o estrago aqui pode ser maior porque não conseguimos requalificar. O comércio e os serviços são os setores mais sensíveis. 

 

O estudo mostra o reconhecimento do vínculo empregatício como um ponto sensível. De que forma os algoritmos estão influenciando nessa questão?

O questionamento do vínculo aparece quando as tecnologias permitem o trabalho realizado autonomamente. Na maior parte dos países, as proteções sociais básicas do trabalho estão relacionadas ao vínculo empregatício, e não à autonomia. Quando a inteligência artificial leva pessoas para o mundo autônomo, surge a preocupação: como é que eles vão ser protegidos? Aí se instala a discussão do vínculo.

O senhor diz que o caminho não é o vínculo empregatício, mas é preciso uma garantia de direitos. Como alinhar isso?

Os trabalhadores do mundo digital precisam de proteções. Isso tem que ser buscado em outros modelos. Na Alemanha, o sujeito é um ator de teatro e, para fazer uma peça, tem que provar que está vinculado a um sistema previdenciário. A contribuição é tripartite. Ele paga 50% da contribuição, o teatro paga 25% e o governo paga mais 25%. Quando acaba a temporada, ele não perde a proteção, ele pode pagar toda a contribuição sozinho ou pagar menos. Se em seis meses ele arranja outro trabalho, volta ao sistema tripartite, paga a diferença que ele deixou de pagar, recompõe o benefício e fica protegido.

Qual é sua visão sobre o projeto que regulamenta o trabalho por aplicativo, em discussão no Congresso?

Esse projeto tem uma coisa boa e uma coisa ruim. A coisa boa é que torna obrigatório o vínculo com a Previdência Social. Isso é fundamental, no mundo inteiro é assim. Não adianta o cara reclamar. Eu sei que os motoristas de Uber não querem saber de pagar previdência. Motoqueiro também não quer, mas ele tem que pagar porque é para garantia dele. O Estado tem uma responsabilidade sobre ele porque, quando ficar velho, ele não vai ficar jogado às traças, ele será acudido pelo Estado. A parte que não é boa, e que o relator retirou, é a que exige uma vinculação obrigatória com os sindicatos.

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É positivo discutir isso em período eleitoral ou é melhor deixar para depois?

Dar proteção ao trabalhador informal, ao Uber, ao entregador, é uma coisa humanitária. Essas pessoas já estão trabalhando, elas já têm uma vida organizada, elas precisam de proteção. Tem que resolver logo isso aí. É diferente da questão da redução da jornada de trabalho, que é muito controvertida por causa das consequências que são graves para o trabalhador.

Por que o sr. avalia essa pauta como melhor para o mercado de trabalho do que o fim da escala 6x1 e a redução de jornada?

As consequências da redução da jornada para os trabalhadores podem ser gravíssimas. Os parlamentares caíram numa armadilha porque agora eles têm um projeto tão popular que não podem votar contra. Se o parlamentar votar contra, não se reelege. Me parece que as pautas populistas estão se esgotando e esta está sobrando ainda como uma pauta que pode agradar 80% ou mais dos eleitores.

Por que a automação virou uma fuga do risco judicial de se empregar no Brasil?

É um risco muito grande, é uma imprevisibilidade incrível. De vez em quando, os empresários começam a reclamar assim: “Eu não sei o que fazer, os encargos sociais são altos, eu pago todos os encargos, chega na hora da Justiça, a Justiça acha que eu não paguei uma determinada coisinha lá, me condena e me põe o retroativo de quatro, cinco anos atrás e aí eu fico insolvente.” O que eu faço? Eu brinco com eles e falo assim: “Robotiza, né?”. Mas isso é péssimo para o emprego, para o ser humano. As tecnologias já estão considerando esse atrativo. Regular o trabalho é uma coisa que tem consequência, porque você cria direito. Todo direito tem custo.

“Trabalho não é castigo, é virtude”

Os economistas Roberto Macedo e Wilson Victorio Rodrigues publicaram no “Estadão”, na semana passada, o artigo “6 x 1? Trabalho não é castigo, é virtude”, reproduzido pelo AELO ON:

O governo federal está, em ano eleitoral, articulando junto ao Congresso Nacional um projeto de lei para acabar com a escala de trabalho 6x1. A justificativa para essa iniciativa (tratada como prioritária) é que a população brasileira busca por qualidade de vida.

Antes de tratar da crise moral que alimenta esse debate, lançamos a crítica: é um absurdo o governo encarar o assunto como prioritário. Há inúmeros outros temas que mereceriam a urgência de nossos agentes políticos. A iniciar pela segurança pública, já que o Brasil, capturado por facções criminosas, está entre os países com maior criminalidade no mundo, ocupando a 14.ª posição no Índice Global de Crime Organizado 2025 (GI-TOC), que analisa 193 nações.

Também deveria ser prioritário o debate sobre a educação brasileira, uma vez que 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional.

Também prioritário deveria ser o debate acerca dos escandalosos supersalários da tal “elite” do funcionalismo público, em que juízes ganham, em média, R$ 95 mil brutos por mês, com 98% dos magistrados recebendo acima do teto constitucional em pelo menos um mês, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). É a verdadeira Corte de Versalhes tupiniquim, em que funcionários públicos não mais se satisfazem com a estabilidade salarial; desejam, agora, a estabilidade que lhes garanta o luxo e a riqueza num país com salário mínimo em R$ 1,6 mil por mês.

Também deveria ser prioritário o debate em torno da elevada taxa de juros, que é consequência de um Estado gastador.

Enfim, há inúmeros temas que deveriam estar no centro do debate público brasileiro, mas que perdem espaço para o despropositado “fim da escala 6x1”. Parece até que os políticos de Brasília vivem mesmo em Versalhes, distantes da triste realidade da população brasileira.

Mas além do inexistente senso de urgência, o que já é gravíssimo, parece que a classe política vive uma profunda e sistêmica crise moral, já que, ao propor o fim da escala de trabalho 6x1, sugere o trabalho como castigo e não como virtude.

O trabalho é testemunho da dignidade do homem, de seu domínio sobre a criação; é meio de desenvolvimento da própria personalidade; é vínculo de união com os demais seres; fonte de recursos para o sustento da família e meio de contribuir para o progresso da sociedade.

O homem é vocacionado ao trabalho, e deve persegui-lo com perspectivas amplas, elevadas, com o afã de levar adiante uma tarefa, empresa ou projeto, por vezes buscando a afirmação pessoal, mas também com a aspiração nobre de servir os demais e de contribuir com o progresso da sociedade. Em oposição à laboriosidade, temos a preguiça, vício capital e mãe de todos os vícios.

Todos os extraordinários avanços da humanidade nos últimos 10 mil anos deram-se exclusivamente em função do trabalho. O Homo sapiens deixou de ser um caçador-coletor para tornar-se uma espécie tecnologicamente avançada.

Com o trabalho, a civilização humana promoveu a revolução agrícola, industrial, científica e tecnológica. Como exemplo da natureza virtuosa do trabalho, citemos o que promoveu no campo da ciência: desde o século 16 até o início do século 19, a expectativa de vida em toda a Europa oscilava entre 30 e 40 anos. Hoje, ultrapassa os 81 anos. Todos esses avanços, decorrentes do árduo empenho da civilização humana nas mais variadas frentes de trabalho, culminaram na melhoria da qualidade de vida.

A classe política brasileira, no entanto, insiste em disseminar o contrário: a qualidade de vida se atinge na medida em que se reduz a dedicação ao trabalho. Ledo engano.

Depõe contra a redução da jornada de trabalho o severo problema da baixa produtividade da mão de obra brasileira, que decorre de uma questão já mencionada: 30% de nossos adultos são analfabetos funcionais (aqueles que, mesmo sabendo reconhecer letras e números, não conseguem interpretar textos simples, realizar operações matemáticas básicas ou utilizar a leitura e escrita no cotidiano, prejudicando a autonomia pessoal e profissional). O mundo avança tecnologicamente (a exemplo da inteligência artificial e da computação quântica), mas aqui ainda enfrentamos o problema do analfabetismo, como se estivéssemos estagnados no início do século passado. Além disso, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o fim da jornada de trabalho 6x1 geraria uma redução de até 7,4% no Produto Interno Bruto (PIB) e aumento dos custos operacionais para empresas em até 15%, especialmente no varejo, devido a prováveis contratações e horas extras.

O custo da hora trabalhada pode subir 22%, pressionando a inflação e gerando riscos de aumento da informalidade.

Como encaramos o trabalho como virtude, nossa jornada, com muito orgulho, é 7x0. Mas na Corte de Versalhes tupiniquim parece prevalecer um corrompido “dolce far niente”, desprovido de charme e inteligência.

Manifesto une a indústria sobre jornada 6 x 1 

Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com as 27 federações estaduais da indústria, entre as quais a FIESP (Estado de São Paulo), 98 associações setoriais e 741 sindicatos industriais, divulgou um manifesto à Nação, em 14 de abril, em que expressa preocupação com as propostas de redução da jornada de trabalho semanal e o fim da escala 6 x 1 em discussão no Congresso Nacional.

Além de fazer a divulgação do documento à opinião pública por meio dos grandes jornais, a CNI recorreu diretamente ao Congresso Nacional. O presidente da entidade nacional, Ricardo Alban (foto), enviou o texto e um apelo à Câmara dos Deputados e ao Senado: O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai manter o envio de um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6 x 1. O texto quer uma jornada limitada a 40 horas semanais, com manutenção dos salários e 2 dias de descanso. Outro ponto central é a ausência de regras de transição, que exigiriam um período de adaptação entre o modelo atual e o novo regime”.

O manifesto reforça que, embora o debate seja legítimo, medidas assim podem provocar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais. Estimativas apresentadas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267 bilhões por ano, um aumento de até 7%.

Para a indústria, o impacto é expressivo, o equivalente a cerca de R$ 88 bilhões (11%). Além disso, simulações do IBRE/FGV sugerem que o PIB brasileiro pode cair até 11,3%, além de aumento no desemprego e na informalidade.

Pontos principais do manifesto e contexto:

  • Posicionamento: A CNI defende que alterações na jornada de trabalho devem ser discutidas via negociação coletiva, não por lei.
  • Impacto Econômico: Entidades empresariais alertam para aumento de custos e pressão nos preços ao consumidor.
  • Conflito: O debate opõe a busca por maior competitividade industrial ao desejo de redução da jornada de trabalho. 

Caiado e Kassab dialogam com o Secovi-SP

O presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab e o pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, participaram no dia 13 de abril da reunião do Secovi-SP do Núcleo de Altos Temas (NAT). O encontro, realizado no Milenium Centro de Convenções, contou com a presença de lideranças empresariais, de entidades de classe e autoridades públicas.

Os dois convidados foram recebidos por Flavio Amary, coordenador do NAT e presidente da Fiabci-Brasil, e Jorge Cury Neto, presidente do Secovi-SP (fotos). Foram discutidos os caminhos do Brasil e os desafios do mercado imobiliário.

Jorge Coury argumentou: “O mercado imobiliário é um dos segmentos mais importantes para o nosso país. E quero reforçar os recentes movimentos da Prefeitura e da Câmara Municipal, que atuaram no apoio ao setor para derrubar a liminar de suspensão dos alvarás, o que demonstra a necessidade de o mercado se manter firme e mais unido”.

Gilberto Kassab relembrou sua trajetória como engenheiro e sua associação ao Secovi-SP, em 1984, ressaltando os contatos com os ex-presidentes da entidade, Romeu Chap Chap e João Crestana.

Ronaldo Caiado, por sua vez, enfatizou a importância da segurança no direito de propriedade, um dos maiores desafios do setor imobiliário. “Esta pauta acompanha minha trajetória política há mais de 40 anos. É uma área em que tivemos êxito durante minha gestão no governo de Goiás e que merecerá nossa atenção em nível nacional”. Ele também recordou suas boas relações com o Secovi-SP: “Esta entidade sempre esteve de portas abertas para debater e compartilhar conhecimento. Se hoje o Estado de Goiás é um dos mais propícios para o desenvolvimento urbano, é por conta desse ensinamento”.

O encontro foi acompanhado por Rodrigo Goulart, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de Governo; por Antônio Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas indústrias da Construção Civil de São Paulo, e por Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), entre outros.

O Secovi-SP Núcleo de Altos Temas foi instituído em 2008, pelo então presidente Romeu Chap Chap e reúne lideranças empresariais, institucionais e personalidades de diferentes áreas da vida nacional para somar visões e contribuir com o desenvolvimento do Brasil. Agora sob coordenação do também ex-presidente Flavio Amary, o Secovi-SP NAT retoma suas atividades como fórum multidisciplinar dedicado à análise de questões de interesse nacional.

Campanha Lote Legal completa cinco anos

A campanha Lote Legal, da AELO, resultado de um aprimoramento do serviço Disque Denúncia, está completando cinco anos de combate efetivo aos loteamentos clandestinos, contando com inúmeras parcerias de instituições e com a adesão de dezenas de prefeituras. O presidente Caio Portugal (foto) tem ressaltado o Lote Legal ao participar de cada evento. O assunto estará em foco, mais uma vez, no 3.º Fórum AELO Estadão, já confirmado para 3 de agosto. A programação do Fórum vem sendo idealizada pelo próprio Caio e por outros membros da Diretoria da AELO, além da equipe de eventos do jornal “Estadão”.

AELO: (11) 3289-1788        www.aelo.com.br

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